Como era expectável, por se tratar da nossa primeira vitória num Euro, a semana continuou dominada pelo jogo do passado domingo e pelo verdadeiro triunfo que foi a chegada a Lisboa, fazendo lembrar os festejos da Roma antiga perante o general romano regressado vitorioso da sua campanha. Foi também esse fenómeno, de vitória da seleção de futebol e a sua condecoração pelo Presidente da República, que criou a surpresa de, pela primeira vez, as vitórias de atletas nacionais no atletismo terem sido um dos temas da semana, chegando até à sexta posição.

Para além do choque, da surpresa e da alegria dos triunfos, a semana continuou com as preocupações Europeias em Portugal, com o Brexit que nos toca a todos, desde as discussões no conselho de estado até aos comentários dos “conselhos de estado” nas esplanadas deste verão.

Do ponto de vista dos portugueses foi também uma semana de justiças e injustiças, os desempregados deixaram de ter de fazer uma apresentação semanal, embora mantendo as restantes regras, e as sanções a Portugal no quadro do outro Euro, o do Eurogrupo e Ecofin, foram largamente percebidas pela maioria dos portugueses como um ataque direto ao seu quotidiano, demonstrando que não é apenas o futebol que une e que a Europa está a ficar, pouco a pouco, mais longe dos corações dos cidadãos e é, crescentemente, associada a injustiça.

A maior parte dos temas noticiosos da semana envolve acontecimentos, negativos na sua maioria, mas não se esgota aí. Dois nomes, Durão Barroso e António Guterres, foram também tema, mas por razões opostas. António Guterres por ter tido uma prestação excepcional no debate entre candidatos a secretário geral das Nações Unidas e Durão Barroso por ter aceite ser Chairman da Goldman Sachs. Claramente, a polémica está com Durão Barroso, com Presidentes de países e membros da Comissão Europeia a condenarem a aceitação desse cargo como um exemplo negativo e de ignomínia.

Durão Barroso é enquanto pessoa livre de fazer o que entender, mas enquanto político é incompreensível que decida ir para o sector financeiro depois da crise que, pessimamente, geriu na Europa. Por outro lado, o convite e aceitação não podiam acontecer em pior momento para Durão, visto que coincidiram com o momento de apresentação no Reino Unido do relatório sobre a invasão do Iraque, patrocinada também pelo ex-Primeiro Ministro português, e pela percepção de que a extensão à Europa da guerra no médio oriente, através do terrorismo, tem as suas raízes nessa invasão.

A pergunta, que terá resposta em breve, é saber se o negócio da Goldman Sachs com Durão não têm tudo para vir a ser ruinoso, pois a discrição, confiança e a credibilidade são os atributos centrais para a banca e a polêmica com seu novo Chairman é antítese de tudo o que a Goldman mais precisa hoje.

A semana que terminou foi, assim, uma semana de emoções ao rubro numa mistura do melhor e do pior que os indivíduos e as sociedades são capazes.

 

 

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.