As primeiras notícias surgiram dia 15, mas de forma tímida e discreta. Por contraponto, as redes sociais encheram-se de imediato de partilhas, reconhecimento e comentários empenhados. Nos media nacionais o assunto quase morreu, exceto nos espaços de opinião, em que o facto foi assinalado várias vezes.

Mas, a nível internacional, foi bem reconhecida a importância de mais de quatro dias consecutivos em que não foi preciso recorrer a combustíveis fósseis para produzir toda a eletricidade consumida em Portugal.

Media de referência como “The Guardian”, “The Independent” ou “La Vanguardia”, ou instituições com o World Economic Forum, deram destaque ao sucesso português. E colocaram o país na linha da frente do desenvolvimento das renováveis, a par de Áustria, Dinamarca, Suécia ou Islândia.

Só na sequência desse reconhecimento internacional é que o tema foi notícia na generalidade dos media nacionais, três dias depois, numa aparente tentativa de corrigir uma falha total na avaliação da importância do tema. E até com vários órgãos de comunicação social portugueses a citar os media internacionais!

Não fossem os media estrangeiros a valorizar o tema e um facto tão relevante para a economia, ambiente e qualidade de vida em Portugal teria sido totalmente ignorado.

Pelos vistos continua em vigor a velha tradição portuguesa de só valorizar o que temos se alguém “lá fora” disser que é bom. Triste fado renovável.

Ficha técnica

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de 414 notícias destacadas diariamente em 16 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 3 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, Público, JN, DN e Jornal i), as 5 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 5 primeiras notícias nos jornais televisivos das 20 horas (RTP1, SIC e TVI) e as 3 notícias com mais destaque nas páginas online de 5 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do Público, Expresso, Sol, TVI24 e SIC Notícias.