Vivemos hoje o último dia antes das eleições autárquicas em Portugal. São 308 os concelhos onde, no próximo domingo se ditarão as regras de quem vai gerir estes municípios nos próximos 4 anos. Será, novamente, o momento para, utilizando depois números nacionais, regionais, concelhios ou mesmo ao nível das freguesias, os principais partidos políticos atirarem palavras de vitória – é quase sempre o que acontece – utilizando para isso os argumentos que mais os convierem. A cor do mapa, final, ajudará sempre o anónimo cidadão a perceber melhor do que estamos, realmente, a falar.

Há, todavia, previsões de estados de espírito que se podem fazer neste momento. Para o PS tudo indica que poderão haver motivos para galvanizar as expectativas de, nas próximas legislativas, poderem deixar de depender da “geringonça” para governar; o PSD terá poucos motivos para sorrir e Passos Coelho terá muito que justificar e os inimigos políticos – em grande medida internos – estão ansiosos por isso; a pergunta sobre se estará Assunção na “crista da onda” será respondida, fundamentalmente, após conhecido o resultado em Lisboa mas tudo indica que a estratégia laranja lhe garantirá o segundo lugar – Portas não perdeu tempo e colocou-se, esta semana, ao seu lado para a fotografia. A CDU espera poder manter o poder numa boa parte do sul do país e, com isso, manter os argumentos para sublinhar o seu papel no atual quadro governativo. O Bloco de Esquerda, que em Lisboa ganha o prémio da fotogenia, não terá, para além disso, grandes motivos para festejar. Todos dirão “as sondagens valem o que valem” mas veremos realmente o que valem no domingo, pelas 19h.

Entretanto, a Alemanha foi a votos e a senhora Merkel tem menos motivos para festejar. Com o seu estilo “cubo de gelo” afirmou que mantinha as condições para governar mas, o crescimento da extrema direita, aqui e no resto da Europa dá, a todos nós, boas razões para profundas reflexões sobre o futuro da democracia e do papel de cada um de nós no coletivo.

Após várias décadas, o nome do presidente da república angolana mudou. José Eduardo dos Santos, presidente há 38 anos dá lugar, agora, a João Lourenço. O partido é o mesmo mas, ao menos, teremos agora que “googlar” para acertar na diferença. Já não é mau.

Finalmente, o futebol, modalidade de paixões, mostra bem quão hospitaleiros são os portugueses, com estratégias orientadas para diversos públicos-alvo. O Porto, mais conservador, não quis abrir mão do poder da bandeira portuguesa e foi ao Mónaco ganhar por 3-0 e mostrar o poder da bandeira nacional. Pelo contrário, o Benfica, disponível, resolveu demonstrar quão abertos somos ao mercado internacional e permitiu que um clube da “2ª divisão da champions” fizesse entrar 5 (sim, cinco, é verdade) golos na baliza do clube português. O Sporting gostaria de entrar em “mares nunca dantes navegados”, fez por isso, mas, ainda assim, lá permitiu que o Barcelona levasse consigo uma vantagem de 1 golo para a segunda volta desta corrida. Veremos como acaba cada uma destas histórias.

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 411 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.