O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, disse esta quarta-feira que se conhece menos o país do que aquilo que se pensa e comparou a realidade ao especialista de acupuntura que espeta a agulha sem conhecer os centros nervosos.

«Conhecemos menos o país do que aquilo que pensamos. Não podemos intervir de forma consistente sobre a economia se não a conhecermos. É como a acupuntura: se não conhecermos os centros nervosos e espetamos a agulha, isso até pode prejudicar», disse Carlos Costa.

O governador do Banco de Portugal (BdP) falava durante a sua intervenção no 20.º encontro da Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco (SaeR), que hoje decorre em Lisboa, com o tema "A Nova Economia e as Novas Formas de Financiamento¿.

«Especulamos muito sobre a economia, mas não a conhecemos. Estamos sempre a intervir sobre um corpo que não conhecemos», reforçou Carlos Costa, dando agora como exemplo o caso de um doente que entra no bloco de urgência e sem radiografias é intervencionado «muito ao acaso»,

produzindo-se efeitos contrários aos pretendidos.

O responsável destacou a conclusão do programa de assistência financeira como «um marco importante no processo de ajustamento da economia portuguesa» e «o progresso assinalável na correção de desequilíbrios macroeconómicos», mas sublinhou que «permanecem fragilidades que têm de ser resolvidas», nomeadamente ao nível do endividamento do Estado, das empresas e das famílias e do desemprego estrutural.