As gargalhadas começaram há quatro anos. Um casal de jovens, “na casa dos 20 anos”, descobriu que as campanhas eleitorais podem ter muito humor. Sobretudo as campanhas eleitorais para o poder autárquico.

A inspiração foi o nome e a “sensualidade” de Paulo Cafôfo, candidato, em 2013, pela Coligação Mudança à Câmara do Funchal (que acabou por ganhar), e também as freguesias de Urra e Caia, cujo nome associado ao slogan do Partido Socialista (PS) local se tornava, no mínimo, hilariante.

Os administradores da página “Tesourinhos das Autárquicas” criaram um espaço no Facebook cujo objetivo era partilhar com os amigos os cartazes autárquicos engraçados que iam encontrando, mas “num piscar de olhos, ela ganhou projeção nacional e os candidatos tornaram-se virais”. A página tem mais de 130 mil seguidores, um número que cresce todos os dias.

Os dois jovens, que preferem manter o anonimato, estão ligados à comunicação e, em entrevista à TVI24, asseguram não ter qualquer motivação política.

Só se fazer rir for uma motivação política. Temos cartazes e material de todos os partidos.”

 

A análise é meramente satírica. Claro que as prioridades políticas podem fazer rir. Por exemplo, se anunciar num outdoor a ampliação do cemitério como principal promessa…”

A partilha do que melhor (ou pior...) se faz no marketing político em Portugal tem um alcance nacional. Fruto da colaboração dos seguidores, podemos ver cartazes de todo o país, de Trás-os-Montes ao Algarve. E nem as ilhas ficam de fora.

Os responsáveis reconhecem que as campanhas para as eleições de âmbito nacional não são tão proveitosas em termos de humor e, falando mais a sério, até conseguem encontrar explicações para isso.

No poder autárquico, os partidos não conseguem controlar a comunicação. É um ambiente mais… livre. E, como não há obrigação de fazer o que manda a cartilha, é muito mais frequente encontrar mensagens e material com potencial para fazer as pessoas rirem.”

Da campanha de 2013, para este ano, os dois administradores da página “Tesourinhos das Autárquicas” já encontraram uma evolução na qualidade do material de marketing político que se faz a nível local. Fica a perder o humor…

Temos encontrado muito menos material rudimentar. Talvez com medo de irem parar aos Tesourinhos…”

Se, há quatro anos, a dupla tinha ficado fã de Paulo Cafôfo, este ano, ainda a campanha oficial não arrancou e já há um claro candidato a melhor Tesourinho. O José Carlos, de Vila Pouca de Aguiar, já se tornou famoso a nível nacional, depois de eleger a música “Despacito” de Luis Fonsi para o seu slogan de campanha.

Mas a candidata de Vila Verde que, de umas autárquicas para outras, mudou de partido, mas não de vestido, também é uma séria candidata.

A todos os candidatos que já constam ou venham a constar da página, os administradores deixam um conselho: aproveitem e riam.

A postura mais inteligente é levar isto na brincadeira, porque é isso mesmo que é. Aparecer nos Tesourinhos é algo que , para o bem e para o mal, dá visibilidade aos candidatos. E, quando eles vêm comentar com fair-play e boa disposição as publicações em que aparecem, são muito bem vistos pelos seguidores. Ao reagir mal – como acontece, poucas vezes, através da mobilização das ‘jotas’ e das redes políticas concelhias, as pessoas ficam a perceber como é que os candidatos se mobilizam para atacar aquilo que identificam como ameaça. E não é muito bonito.”