Mesmo que não tivesse havido festa, haveria sempre uma análise para fazer. Mas a Comissão Política Nacional do PS reúne-se na quarta-feira com outro ânimo, uma vez que o partido não só ganhou as eleições, como obteve o melhor resultado desde 1976, conquistando 159 das 308 câmaras. Mais: há 32 anos que o partido do Governo não saía vencedor numas autárquicas. 

O encontro da cúpula socialista está marcado para as 21:00 de quarta-feira. Tanto o líder do PS, António Costa, como a secretária-geral adjunta deste partido, Ana Catarina Mendes, já salientaram o caráter "histórico" do triunfo alcançado pelos socialistas.

Na segunda-feira, em conferência de imprensa, Ana Catarina Mendes disse que os socialistas conquistaram 159 presidências das 308 câmaras em disputa e mais duas em coligações (Funchal e Felgueiras).

O PS apoiou ainda quatro listas independentes (Anadia, Aguiar da Beira, São João da Pesqueira e Calheta), "o que significa que os socialistas estiveram envolvidos em 165 listas vencedoras", acrescentou.

Por razões táticas, e numa altura em que o Orçamento do Estado está a ser negociado entre o Governo socialista com o PCP, Bloco de Esquerda e "Os Verdes", a direção do PS apontou então exclusivamente o PSD como "o grande derrotado" da noite eleitoral. Fez, por isso, questão de sublinhar triunfos em bastiões "laranja" como Mirandela, São João da Madeira, Chaves, Ansião, Pedrógão Grande ou Felgueiras.

No entanto, a progressão do PS face a 2013 foi também feita à custa de autarquias tradicionalmente dominadas pela CDU, sendo o caso mais relevante o de Almada. O PS ganhou ainda as câmaras da CDU do Barreiro, Alcochete, Beja, Moura, Constância, Barrancos, Castro Verde e Alandroal.

Nos últimos dois dias, dirigentes do PS referiram à agência Lusa que vão acompanhar "com natural expetativa" o resultado da reunião de hoje do Comité Central do PCP. As preocupações prendem-se, precisamente, com o PCP: se haverá ou não indícios de alguma mudança de posicionamento dos comunistas face ao Governo, numa altura em que as negociações da proposta de Orçamento do Estado para 2018 entram na reta final.

Os dirigentes socialistas têm repetido, e começou por António Costa, que os resultados eleitorais não vão abalar os acordos firmados à esquerda. O BE também o disse, o PCP deu a entender o mesmo. 

Ainda no que respeita à Comissão Política Nacional do PS de quarta-feira, António Costa deverá apresentar aos dirigentes socialistas uma análise sobre a atual situação política - isto, lá está, a pouco mais de uma semana de o Governo entregar no parlamento a sua proposta de Orçamento do Estado para 2018.

A proposta do Governo de Orçamento para o próximo ano será depois analisada com maior detalhe na reunião da Comissão Nacional do PS, já agendada para o próximo dia 14.