O ataque terrorista desta terça-feira, em Manhattan, levou a vida a cinco amigos. A história dos empresários e arquitetos que sucumbiram depois de atingidos por uma carrinha numa cliclovia, na cidade norte-americana, começou há 30 anos, na universidade. 

Os cinco homens eram argentinos e pertenciam a um grupo de dez amigos que tinham viajado do país natal há menos de uma semana. Hernán Diego Mendoza, Diego Enrique Angelini, Alejandro Damián Pagnucco, Ariel Erlij y Hernán Ferruchi, todos viviam em Rosario, Argentina, todos perderam a vida na baixa de Nova Iorque.

Conheceram-se no Politécnico de Rosario, onde cimentaram uma amizade que durou ao longo dos anos. Os empresários e arquitetos tinham idades compreendidas entre os 48 e 49 anos.  O avião que levou o grupo de dez amigos partiu do Aeroporto Islas Malvinas, no sábado à tarde, tinha escala em San Pablo e como último destino Nova Iorque.

A viagem incluiu uma ida a Boston, onde se reuniram com Martín Marro, outro antigo aluno que tinha emigrado para os EUA. Na terça-feira, acabaram por regressar a Nova Iorque. A decisão seguinte revelou-se fatal. O grupo de amigos decidiu fazer um passeio de bicicleta pela baixa de Manhattan, na tarde em que um homem de 29 anos, conduziu uma carrinha numa ciclovia contra quem por lá andava. O suspeito, do ataque terrorista mais mortal depois do 11 de setembro,  atropelou 19 pessoas, 11 ficaram feridas, oito morreram, das quais cinco eram os amigos argentinos de Rosario.

Ariel Erlij, um dos que perdeu a vida, foi o organizador da viagem. Não conseguiu apanhar o avião, que levou o grupo para Nova Iorque devido a contratempos de última hora. Foi ao aeroporto despedir-se dos amigos, mas acabou por não embarcar naquele dia, viajou sozinho no dia seguinte. Uma persistência que veio a custar-lhe caro.

Erlij tinha 48 anos, era um empresário de renome em Rosario, dono da empresa “Ivanar”. Vivia na localidade de Funes nos arredores de Rosario.

Em março, a “Ivanar” tinha anunciado um investimento de 15 milhões de pesos para a criação de uma segunda fábrica em Ramallo. Ariel Erlij era ainda o diretor do parque industrial Metropolitano SA, em Pérez.

Alejandro Damián Pagnucco, de 49 anos, tinha a alcunha de Picho. Também vivia em Funes, também perdeu a vida na ciclovia de Manhattan.

Hernán Ferruchi, mais uma das vítimas fatais do ataque. Era arquiteto em Rosario, estudou na Universidade Nacional de Rosario e no Instituto Politécnico em 1987, onde conheceu o resto do grupo.

Ferruchi era um dos autores do projeto de “Condominios el Alto”, um condomínio que se situa junto ao Puerto Norte, em Rosario.

Diego Angelini era também ele arquiteto e foi outro elemento do grupo a não voltar à Argentina. Angelini tinha um estúdio no centro de Rosario.

Hernán Mendonza era sócio fundador do estúdio “Amascuatro”. O quinto amigo que perdeu a vida na sequência de mais um ataque terrorista em Nova Iorque.

O grupo frequentou o Instituto Politécnico Superior General San Martín em 1987 e reunia-se periodicamente. Este ano, Nova Iorque tinha sido o destino escolhido dos dez amigos argentinos para reunião, que marcava o 30º aniversário desde que se tinham conhecido.