António Costa admitiu tirar responsabilidades políticas "se for caso disso" no que toca à tragédia de Pedrógão Grande, que fez 64 mortos. O primeiro-ministro fez uma declaração sobre o relatório da Comissão Técnica Independente aos incêndios que devastaram a região Centro, este verão, que foi entregue esta quinta-feira no Parlamento. António Costa, que tinha ao seu lado os ministros da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e da Agricultura, Capoulas Santos, falou aos jornalistas depois de ter estado reunido mais de uma hora com o coordenador da Comissão Técnica Independente, João Guerreiro.

Foi já depois de ter teminado a sua declaração, em São Bento, que o chefe do Executivo foi questionado pelos jornalistas se iam ser retiradas responsabilidades políticas na reunião do Conselho de Ministros que terá lugar a 21 de outubro para analisar este documento. "Se for caso disso, sim", respondeu de forma breve, António Costa. 

Antes, durante o discurso que fez aos jornalistas, o primeiro-ministro disse que o Governo tem de "ler" e "refletir" sobre o documento antes de tirar conclusões, mas garantiu que o Governo vai assumir "integralmente" as responsabilidades que resultam do relatório.

"As responsabilidades são aquelas que resultam do relatório e assumi-las-emos integralmente."

Quanto às recomendações, disse que serão analisadas e que serão tidas em conta "para completar a reforma da floresta e para a reforma do sistema de prevenção e combate aos incêndios florestais".

António Costa sublinhou ainda que espera que este relatório seja a base de um consenso político e social alargado, que permita ao país "evitar a ocorrência de tragédias" como a de Pedrógão Grande.

"Espero que este relatório, que é produzido por uma comissão designada pela Assembleia da República, na sequência de uma proposta apresentada pelo PPD/PSD, possa ser a base de um consenso político e social alargado que permita ao país tomar as medidas necessárias para evitar a ocorrência de tragédias como a deste verão."

A Comissão Técnica Independente apresentou esta quinta-feira o relatório sobre os incêndios que devastaram a região Centro, em junho. O documento diz que as "opções táticas e estratégicas" tomadas contribuíram para as "consequências catastróficas" do fogo de Pedrógão Grande.

O relatório refere ainda que o atual comandante nacional da Proteção suspendeu a fita do tempo e que isto pode "ter impedido que se conheça completamente o que se passou".