O chefe do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, admitiu poder «voltar à política» e à presidência do executivo insular, embora sem explicitar quais os contornos deste seu eventual projeto.

«Quem é que lhe diz que é o último [Orçamento Regional]? O mundo vai dar muitas voltas», disse Jardim, respondendo aos jornalistas à margem da discussão das propostas de Orçamento e Plano do Governo Regional para 2015.

O líder madeirense confirmou que vai apresentar a sua demissão do cargo a 12 de janeiro, ao representante da República, declarando: «Não [é o último orçamento], posso voltar à política, ninguém me impede».

E Jardim afirmou que «se voltar à política é para a presidência do Governo [Regional]».

Quando instado a explicitar se seria deixando o PSD, num outro partido ou pertencendo a uma outra organização, respondeu: «Já conheci muita gente no PSD e muitos já não estão lá».

Sobre a proposta orçamental hoje em discussão na Assembleia Legislativa da Madeira, o governante realçou ser «o possível face ao tratamento colonial da República Portuguesa».

Segundo o responsável insular, é também um orçamento que «segue a linha de nesta altura de crise não deixar cair nada que diga respeito às instituições sociais, portanto, não criar o mínimo problema a tudo o que é social».

Jardim adiantou que o objetivo da proposta orçamental é igualmente «manter um investimento que continue a fazer descer o desemprego» e visa «continuar o apoio às empresas porque esta receita de austeridade da União Europeia não vai a parte alguma».

Relativamente à questão das subvenções aos partidos, o denominado jackpot, cuja redução tem sido defendida inclusive pelos candidatos à liderança do PSD/Madeira, o presidente do governo regional considerou ser «uma falsa questão que tem sido utilizada por pessoas que querem fazer demagogia com coisas sérias».

«Sobre os candidatos do PSD eu vou falar é depois, vou dizer o que penso da forma como decorreu esta campanha», vincou.

Jardim defendeu que os partidos não devem ser pagos por privados, porque nessa situação estariam «nas mãos de interesses que não são públicos» e de «grupos económicos».

«Não percebo como é que há gente que quer ter uma democracia sem ter partidos políticos. Os partidos têm de funcionar», vincou, sustentando que é preciso «escolherem» qual a opção para financiar as estruturas partidárias.

O líder madeirense criticou também a “hipocrisia” dos partidos que são contra o ‘jackpot’ no parlamento regional.

«Como sabem que o PSD defende o financiamento dos partidos pelo setor publico eles dizem que não concordam mas estão sempre a receber na mesma. Já os viu devolver ao povo o que receberam?», cita a Lusa.