O presidente da associação de caçadores concessionária da zona de caça alentejana onde foi abatida a tiro uma águia-imperial negou, esta segunda-feira, o envolvimento de qualquer associado naquele abate ilegal, que estranhou e acredita ter sido propositado.

«Para mim não foi um acidente», disse à agência Lusa João Baiôa, presidente da Associação de Caça e Pesca «Os Castelos», considerando que «alguém abateu a ave propositadamente».

«Mas não foi nenhum dos nossos associados, porque não frequentam a zona desde 11 de Janeiro, o dia da última caçada», afirmou o responsável da associação concessionária da zona associativa onde foi abatido a tiro, entre 21 e 23 de Fevereiro, o macho do único casal de águia-imperial que nidificou em Portugal em 2008.

Águia-imperial abatida a tiro

Abate ilegal de águia deve ser investigado

Por outro lado, frisou, a associação, desde que teve conhecimento que o casal de águia-imperial estava na zona de caça, «pediu aos associados para evitarem o local, para deixaram as aves nidificar em paz».

Frisando que «um abate ilegal deste tipo pode levar à perda da concessão de uma zona de caça», João Baiôa, escusou-se a fazer acusações e limitou-se a considerar «muito estranho» o abate da águia-imperial, porque «aconteceu numa altura em que foi conhecida a divisão da zona de caça».

Nos últimos 14 anos, a Associação de Caça e Pesca «Os Castelos» tem assumido a concessão da zona de caça associativa que inclui, entre outras, as zonas da Figueirinha e Alcaria do Coelho, num total de 2.205 hectares distribuídos pelos concelhos de Mértola e Castro Verde, no distrito de Beja. A partir de 15 de Julho, a Associação ficará apenas com a concessão de 1.474 hectares, sendo que gestão dos restantes 731 vai transitar para uma zona de caça turística propriedade de privados, que «já andam no terreno».

O macho de águia-imperial foi encontrado morto há duas semanas junto ao seu ninho e a necrópsia revelou que foi atingida por chumbos de caçadeira, segundo o Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), que vai apresentar uma queixa-crime ao Ministério Público contra «incertos».

A cria já havia abandonado o ninho, frisou o instituto, sublinhando que o abate desta águia configura «uma contra-ordenação ambiental muito grave», segundo o Regime Jurídico da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (Decreto-Lei nº 142/2008, de 24 de Julho).

A águia-imperial é uma das aves de rapina mais ameaçadas do mundo, estimando-se que existam apenas 400 casais sobreviventes. Está classificada como «em perigo de extinção» e, a nível europeu, é considerada como «globalmente ameaçada». Em Portugal, estima-se que existam menos de 10 exemplares de águia-imperial.