Os pilotos nem sempre aterram no local onde era suposto aterrar, sendo algo comum acabarem em aeroportos errados com os pilotos a só se darem conta do que aconteceu quando já aterraram ou a terem de abortar a aterragem a poucos segundos de tocarem o chão por estarem no aeroporto errado.

De acordo com uma pesquisa levada a cargo pela associação de imprensa e segurança do estado, desde 1990, pelo menos 150 voos acabam no aeroporto errado.

Um ponto problemático tem sido em San Jose, na Califórnia. A lista de aterragens erradas inclui seis relatórios de pilotos que se preparavam para descer em Moffett Field, uma articulação civil-militar quando objetivo seria o Aeroporto Internacional de Mineta San Jose, perto de Silicon Valley.

«Este evento ocorre algumas vezes todos os invernos quando as condições meteorológicas são más», afirma um controlador do aeroporto de San Jose.

Em praticamente todos os incidentes, os pilotos são autorizados a orientar o avião com base no que conseguem ver, em vez de dependerem do piloto automático. Muitos dos casos ocorrem à noite, com os pilotos a reportarem que foram atraídos pelas luzes da primeira pista que vêm durante a descida.

«Nós encontramos estas luzes e ao olhar para elas, as mesmas dizem "Vem na minha direção, eu deixo-te aterrar". Elas são como sereias no oceano», diz Michael Barr, antigo piloto da Air Force.

As câmaras de vigilância acabam por não conseguir filmar todas as aterragens. De acordo com o sistema de segurança aérea da NASA houve 35 aterragens erradas e 115 tentativas abortadas por aviões comerciais e de carga ao longo das últimas duas décadas.

A Administração de Aviação Federal é a responsável por investigar estes casos, contudo os seus relatórios não são disponibilizados publicamente. A FAA rejeitou o pedido entregue para Associação de Imprensa para ter acesso aos registos colocando a hipótese de existirem informações sobre possíveis violações nas normas de segurança.

A diretora do banco de dados, Linda Connell, afirmou que é à NASA quem cabe avaliar os relatórios, protegendo a confidencialidade dos intervenientes. Apesar do banco de dados ser gerido pela agência espacial, o financiamento é feito pela FAA, mas o orçamento está congelado desde 1997. Como resultado, estão a ser inseridos menos relatórios apesar de ter aumentado o seu volume.

Num arquivo referente ao último mês de julho, um piloto descreveu a forma como o seu MD-80 estava pronto para aterrar naquele que pensava ser o Aeroporto Internacional de San Antonio quando o seu auxiliar lhe corrigiu a rota. O capitão abortou a descida e chegou sem problemas ao destino correto.

Dos 35 erros documentados, 23 ocorreram em aeroportos com pistas mais curtas e apenas dois tinham o mesmo tamanho. Recentemente os boeings 737 e 747, tiveram uma surpresa quando aterraram numa pista demasiado curta em Hollister ficando muito perto de uma ravina enquanto o pretendido seria pousar perto de Branson.

Os recentes casos do boeing 737 em Missouri e o 747 em Kansas fizeram aumentar as preocupações de segurança.