“Ele veste as mesmas roupas, está sujo. Não tem casa de banho, nem sapatos”, afirmou uma vizinha, Debbie Scoggins, em entrevista à KPRC.

“O tempo está a começar a ficar mais frio. Ele está muito debilitado e não consegue sequer andar. Tenho medo que ele vá morrer aqui neste jardim”, disse outra residente do bairro, recordando que o vizinho sobre de diabetes e hipertensão arterial.

Sharafat Khan foi expulso há seis meses de casa, depois de, segundo o próprio, ter discutido com a mulher. A esposa terá então esperado que saísse de casa para mudar as fechaduras, impossibilitando-o de entrar.

Contudo, o filho de Sharafat afirma que a mãe não teve alternativa, uma vez que o pai abusava “física e psicologicamente” da mulher.

“Ele bateu na minha mãe muitas vezes e, há alguns anos, esteve preso por violência doméstica”, declarou Zain Khan.

As alegações de Zain parecem ser verdadeiras, uma vez que a polícia confirmou ter recebido mais de 30 chamadas de emergência vindas da casa de Sharafat, nos últimos seis meses.

Contudo, as autoridades afirmaram que o homem tem o direito de permanecer no jardim e que também não podem forçar a mulher a recebê-lo em casa.

“Eles estão casados, por isso trata-se de uma propriedade partilhada em comunhão”, disse Tim Dohr, do Departamento Policial de Lakeview. “Um tem tanto direito de estar lá como o outro. Não podemos obriga-lo a sair, que é o desejo dela, e não podemos obrigá-la a fazer nada em relação a ele”.

Mas mesmo estando casado, Sharafat não tem acesso a qualquer parcela do dinheiro do casal. O homem passa as noites em frente à casa, embrulhado num lençol branco, enquanto a mulher usufrui da mansão.

A esposa colocou até um cartaz junto à residência onde se pode ler: “se querem alimentá-lo, levem-no para vossa casa. Se quiserem podem mantê-lo em vossas casas. Obrigada pela vossa simpatia mas não tragam nada para esta propriedade”.

Apesar das animosidades, ambos não pretendem separar-se. Sharafat garante que não tem dinheiro para começar o processo de divórcio e a mulher não o faria por motivos religiosos.

Contudo, o homem acredita que a esposa quer continuar casada porque “não quer ter de dividir a fortuna”.