O Conselho de Brentonico, em Itália, decidiu marcar um novo julgamento para uma mulher, acusada de bruxaria e executada há 300 anos. Os júris acreditam que Maria Bertoletti Toldini era inocente e vão dar-lhe uma segunda hipótese para que o seu nome fique limpo na História.

Maria Bertoletti Toldini era uma viúva de 60 anos que tinha voltado a casar na altura em que foi presa, em 1715. O tribunal sentenciou-a à morte pelos crimes de bruxaria, múltiplos assassinatos de crianças, tornar o solo infértil, danificar uma vinha local, blasfémia, heresia e, até, cozinhar uma criança de cinco anos num caldeirão com queijo a ferver.

Agora, segundo o The Guardian, um grupo de jurados quer mudar a História porque acredita que as acusações foram falsas.

Na sua opinião, Maria foi acusada, como milhares de mulheres condenadas por bruxaria na época, por causa de uma discussão com alguém, provavelmente familiar ou amigo, ou por causa da sua herança.

Por esta razão, vai ser remarcado um novo julgamento, com um juiz e um tribunal verdadeiros, à luz das leis em vigor em 1715.

Quinto Canali, um padre responsável pela defesa de Maria Bertoletti Toldini, afirmou que o que inspirou foi ver uma peça que reencenava a história, garantindo que era culpada.
 

“Se vemos que há algo na nossa História que está errado, temos de conhecê-lo. Isto é importante hoje como era há 100 anos e como vai ser nos próximos 100. Houve um homicídio que não foi justificado e que não devia ter existido. Mataram uma pessoa com motivos que não existem. Ela estava inocente”.

 

O historiador Carlo Andrea Postinger apoia as declarações de Quinto Canali, que estudou o caso. Entre os séculos XV e XVIII, 50 a 60.000 pessoas foram acusadas de bruxaria, na sua maioria mulheres. Eram obrigadas a confessar e a denunciar outras pessoas, depois de serem torturadas, muitas vezes durante dias.

Para os especialistas, o caso de Maria Toldini destaca-se dos demais porque a mulher não acusou ninguém de ser seu cúmplice.

Christian Perenzoni, presidente do município de Brentonico, é a favor do novo julgamento, mas afirma que têm havido muitas pessoas a contestar a decisão. Aqueles que são contra dizem que se está a prestar demasiada atenção a algo que aconteceu há 300 anos.
 

“Eu penso que isto tem um valor simbólico, principalmente para as mulheres. Esta foi uma injustiça histórica contra as mulheres”.


Louise Nyholm Kallestrup, um historiador especializado nas condenações por bruxaria no século XVIII, acha que Maria era inocente, mas que um novo julgamento não faz sentido.
 

“Claro que foi uma vítima, mas houve inúmeras vítimas. E todos os homossexuais que foram mortos em praça pública? Houve muitas pessoas que foram sentenciadas por crimes no passado que nem sequer seriam considerados crimes hoje”.