A história de um homem apanhado a roubar num supermercado, em Brasília, no Brasil, comoveu os agentes da Polícia Civil que tomaram conta da ocorrência. O homem, eletricista desempregado, foi apanhado a roubar dois quilos de carne de um supermercado e o dono do estabelecimento chamou a polícia.
 
Chegado à esquadra, o homem desmaiou e, depois de recuperar os sentidos, contou aos agentes que já não comia há dois dias. Tinha deixado o filho, com 12 anos, comer o pão que havia em casa e ficou ele sem se alimentar.
 
O homem contou ainda que a mulher tinha sofrido um acidente grave e se tinha mudado para casa de um filho mais velho para recuperar das sequelas. Ficou ele então sozinho a cuidar da criança. Perdeu o emprego precisamente porque precisou de acompanhar a mulher, logo após o acidente.
 
Esta quarta-feira, achou que já tinha recebido o subsídio designado por Bolsa Família e foi às compras – pão, queijo, mortadela e carne. Ao chegar à caixa para pagar, percebeu que tinha apenas 14 reais na conta (cerca de 4 euros). Desesperado, tentou esconder a carne, que custava cerca de 7,50 euros, mas foi apanhado. Tentou explicar-se junto do dono da loja, mas de nada lhe valeu.
 
Citado pelo portal G1, o agente que tomou conta da ocorrência contou que ficou sensibilizado com a história. “Dei a ele 30 reais para pagar a carne e depois fui contar aos colegas o que estava acontecendo no plantão. Ficou todo mundo comovido, e logo um tirou 5 reais, outro 10 reais, outro 20 reais do bolso”, conta.
 
Mesmo assim, como tinha sido registada queixa, foi fixada uma fiança para libertação – 270 reais (78 euros), que uma agente se prontificou a pagar de imediato.
 
Quatro polícias acompanharam o homem ao supermercado e compraram-lhe bens como arroz, massa e bolachas. “Na hora que passávamos pela seção de higiene, um colega perguntou se ele tinha pasta de dente. Ele disse que tinha mais de mês que não escovava os dentes com pasta, e pedimos que ele pegasse lá, então. Ele, na humildade dele, voltou com a menorzinha e mais barata. Brincamos que isso não dava nem para um dia e pegamos logo cinco, aí pegamos sabonete e todo o resto”, conta o polícia.
 
Os agentes lembram que roubar não é o caminho correto, mas ficaram sensibilizados com a hipótese de haver uma criança a passar fome.