Uma brasileira de 40 anos, comerciante de profissão, encontrou o homicida do filho através da rede social Facebook. Além disso, Patrícia Gusmão, com formação em Serviços Sociais, voltou à universidade e está agora a estudar Direito, para ajudar na investigação e acompanhar o julgamento de forma mais esclarecida.

Maik Joilson Gusmão foi assassinado em maio de 2016, durante a festa de aniversário do irmão, quando o homicida invadiu a discoteca onde estava a decorrer a celebração, em Cuiabá, capital do estado do Mato Grosso. Victor, o agressor, mais conhecido por Vitinho, tinha sido impedido de entrar na portaria, por estar na posse de uma arma, mas acabou por saltar um muro e invadir a festa. Testemunhas dizem ter visto o jovem de 19 anos a tentar impedir a confusão que se estava a instalar, até que Vitinho empurrou, o fez cair no chão e disparou contra ele três tiros. Maik Gusmão morreu três dias antes de completar os 20 anos.

O homicida pôs-se em fuga e a investigação entrou num impasse porque a polícia não conseguia encontrá-lo. Ao perceber que o processo não estava a evoluir tão rápido como queria, Patrícia decidiu investigar por conta própria, recorrendo ao Facebook para o fazer. Assumiu outro perfil na rede social, adicionou familiares e amigos do assassino do filho e controlou cada publicação feita por cada um deles até conseguir localizar o criminoso, em Araputanga, também no estado do Mato Grosso, e entregá-lo à polícia.

Após confessar o crime, Victor foi acusado de homicídio qualificado. Permaneceu em prisão preventiva desde 20 de junho do ano passado até 25 de setembro deste ano. O jovem acabou por ser condenado a uma pena de 16 anos e cinco meses de prisão.

A decisão não foi o que eu esperava, pois acredito que ele estará na rua num tempo muito menor do que 16 anos. Mas como eu já me desgastei muito com tudo isso, preferi aceitar, porque nada que seja decidido pela Justiça vai trazer meu filho de volta", confessou a comerciante à BBC Brasil.

Patrícia acompanhou logo de início todo o processo de investigação do homicídio. Assim, a segunda área de estudos surgiu numa tentativa de conseguir entender os termos jurídicos referentes ao processo do filho.

Ficava incomodada por não entender o que o juiz dizia e por ter sempre de recorrer ao advogado para conseguir compreender”, explica.

Começou o curso de Direito simplesmente para conseguir acompanhar a investigação da morte do filho e como forma de o homenagear. Apesar de o curso de Direito nunca ter sido um sonho de vida, e estando já no segundo ano, Patrícia tem a intenção de terminar os estudos.