Mais de dez esculturas feitas com motosserra em troncos de árvores enraizados espalham-se pelas margens da lagoa das Furnas, nos Açores, produto dos festivais de «woodcarving» organizados pelo Centro de Monitorização e Investigação das Furnas.

O III Furnas Woordcarving com motosserra termina hoje, culminando uma semana de trabalho de Emmanuel Courtot, campeão francês de «chainsaw woodcarving» (escultura em madeira com motosserra), que voltou pelo terceiro ano a São Miguel e vai deixar mais cinco obras na paisagem que envolve a lagoa.

Além das peças feitas em árvores enraizadas, Courtot fez outras em troncos cortados, como aconteceu também nos últimos anos. A escolha das esculturas é feita entre o artista e os responsáveis pelo Centro de Monitorização e Investigação das Furnas. No ano passado, por exemplo, a «aposta» foi para a fauna dos Açores, como um furão, um mocho ou um garajau a apanhar uma carpa.

As esculturas são feitas, essencialmente, em troncos de árvores que estão mortas, por norma criptomérias, e acácias, esta última uma espécie invasora que causa alguns problemas ambientais, por ter raízes pouco profundas e haver tendência para provocar derrocadas nos locais em que é dominante, explicou à Lusa Miguel Ferreira, responsável pelo projeto de recuperação da bacia hidrográfica das Furnas.

No caso das esculturas em troncos enraizados, explicou, são tratadas com óleo de linhaça e xilofene (por causa dos insetos), para durarem alguns anos.

Além de tentar promover «os valores cénicos» da lagoa criando «novas peças e pontos de interesse», principalmente ao longo das margens, este festival de 'woodcarving' tem ainda como objetivo atrair mais visitantes ao Centro de Monitorização e Investigação das Furnas, explicou Miguel Ferreira.

É por isso que, ao sábado e ao domingo, o evento se concentra na entrada do edifício do Centro de Monitorização e Investigação das Furnas, inaugurado em 2011, com o objetivo de levar as pessoas a visitarem a exposição que há no interior "para ver o trabalho que tem vindo a ser feito para recuperar a água da lagoa das Furnas e o que isso implica no terreno".

A lagoa das Furnas tem um problema de eutrofização (presença excessiva de nutrientes na água, originando um desenvolvimento também excessivo de matéria orgânica), resultado da utilização, durante décadas, dos terrenos da bacia hidrográfica como pastagens e para outras atividades agrícolas, com recurso a fertilizantes químicos, por exemplo.

O III Furnas Woodcarving, organizado pela Secretaria Regional dos Recursos Naturais em conjunto com uma empresa privada, promove ainda formação com equipamentos moto-manuais ao pessoal do Centro de Monitorização e Investigação das Furnas que está no terreno e de outras entidades ligadas a projetos ambientais de São Miguel, como a SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) ou a Escola Profissional da Povoação.

O «woodCarving com motosserra» das Furnas insere-se no Plano de Ação da Carta Europeia do Turismo Sustentável (CETS) Terras do Priolo, "uma ferramenta de gestão em áreas protegidas cujos principais objetivos são aumentar a consciencialização e o apoio às mesmas como parte fundamental da herança coletiva e melhorar o seu desenvolvimento, considerando as necessidades do ambiente, dos residentes, empresas locais e visitantes", segundo uma informação da Secretaria Regional dos Recursos Naturais do Governo dos Açores, conta a Lusa.