
A sede da Fundação José Saramago, que abre ao público na quarta-feira, em Lisboa, «vai ser um espaço de debate e de confronto de ideias», afirmou esta segunda-feira a presidente da entidade, Pilar del Río.
«Não queremos ser um lugar neutro. Temos uma responsabilidade cívica e, como defendia José Saramago, temos de ter uma lucidez ativa e não nos limitarmos a contemplar o espetáculo do mundo», disse a presidente da Fundação à agência Lusa, no final de uma visita de imprensa à Casa dos Bicos.
Pilar del Río recordou que esta postura da entidade vai seguir a filosofia de vida de José Saramago, falecido há dois anos, a 18 de junho de 2010.
A Fundação José Saramago foi instalada no edifício seiscentista e vai ser inaugurada numa cerimónia oficial na quarta-feira, feriado municipal e dia de Santo António, padroeiro de Lisboa.
A partir das 14:00 abre as portas ao público que quiser conhecer a vida e obra do Nobel da Literatura português, nascido na Azinhaga do Ribatejo, e falecido em Lanzarote (Espanha), com 87 anos.
A abertura oficial, apenas para convidados, está prevista para as 11:30, com a presença de Pilar del Río e do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, bem como do comissário da exposição «A Semente e os Frutos», Fernando Gomez Aguilera.
A presidente da fundação e viúva de Saramago guiou os jornalistas no edifício, mostrando os pisos onde se encontram a exposição e a biblioteca pessoal do autor de «O Evangelho segundo Jesus Cristo» e «A Viagem do Elefante», entre três dezenas de obras.
«A biblioteca pessoal será aberta só a investigadores, para consulta», indicou a presidente da Fundação, acrescentando que o espaço terá também um auditório para uma programação de debates, «para confronto de ideias e denúncias, porque estão a passar-se coisas muito graves no mundo».
Os investigadores vão ter áreas de trabalho disponíveis no edifício, e será possível aceder à biblioteca de Lanzarote a partir de equipamento eletrónico instalado na Casa dos Bicos.
No piso onde está instalada a exposição, os visitantes poderão encontrar livros que Saramago traduziu, manuscritos, notas pessoais, agendas, recortes de jornais, e os livros do autor, com uma seleção de exemplares em português e edições noutras línguas.
Poesia, crónicas, romances, fotografias que recordam as amizades de Saramago, a atividade cívica e política, a família - os avós da Azinhaga, a quem aludiu no discurso na Suécia, na altura da entrega do Nobel, em 1998 - cobrem as paredes do espaço expositivo.
Também está disponível equipamento de áudio com entrevistas, discursos, e vídeos documentais. No fim da exposição há um espaço onde foi reproduzido o primeiro escritório onde Saramago escreveu, contendo a secretária e outros objetos pessoais, como os óculos e a máquina de escrever.
Fernando Gomez Aguilera, comissário da mostra, é presidente da Fundação César Manrique, e foi também responsável pela exposição «José Saramago. A Consistência dos Sonhos», que esteve patente em Lanzarote em 2007, depois em Lisboa, e fez uma digressão pela América do Sul.
O espólio do escritor José Saramago chegou a Lisboa a 21 de maio último num camião contentor, proveniente de Lanzarote, onde o Nobel teve residência principal até à data do seu falecimento.