Por: Redacção / SM | 16- 5- 2011 9: 46
O Centro de Emprego da Rua da Saudade foi o palco escolhido no Porto para uma intervenção do movimento «É o povo, pá!»
que esta madrugada colou 25 cartazes de protesto em centros de emprego e formação profissional de 23 localidades.
Pouco
passava das 02:30, a hora marcada, quando dois elementos do movimento chegaram em passos rápidos à Rua da Saudade no Porto,
perto da Rotunda da Boavista, trazendo as caras tapadas por máscaras sorridentes de José Sócrates e Pedro Passos Coelhos e
nas mãos os cartazes e um balde de cola.
«Não queremos subsídios, queremos emprego», pode ler-se nas duas folhas
que, sem hesitar, colaram na porta envidraçada do número 132 da rua, junto à qual dormia um sem-abrigo que nem se apercebeu
da agitação. É ali que fica o Centro de Emprego e Formação Profissional.
A iniciativa «é nacional» e o objectivo
é conseguir replicar esta forma «inusitada» de protesto em «cerca de 30 localidades» e sempre nos centros de emprego.
«Escolhemos
centros de emprego porque achamos que perderam a vocação que tinham, que era centrada numa política nacional de combate ao
desemprego e à criação de emprego», explicou à Lusa um dos membros do movimento, acrescentando que actualmente são apenas
«fiscalizadores dos desempregados» que «impõem formações» que não «têm nada a ver» com o desejado.
É precisamente
contra «esta relação de humilhação que o estado português estabeleceu com os desempregados» que o movimento decidiu manifestar-se
desta forma, lembrando que «ninguém está desempregado porque quer», sendo «o direito ao trabalho e a um salário, um direito
constitucional».
E porque trazem a cara tapada? «Porque aquilo que nos move são ideias, propostas e não quem nós
somos. Queremos é que se fale naquilo que vimos dizer e não que se discuta quem nós somos», apressaram-se a responder.
O
movimento é formado por pessoas «diversas», funciona «em rede» assenta num texto publicado on-line no qual todos se revêem.
A
ideia principal é pois «somar protesto ao protesto», «acrescentar pensamento e matéria para discussão na sociedade» e ainda
«lançar o debate de alguns temas na sociedade portuguesa de uma perspectiva diferente daquela que normalmente é colocada».
Depois
do BPN, contra o qual realizaram a sua primeira acção durante o mês de Março, foi a vez de «reclamar quanto à ausência de
uma política de emprego» e «contra a forma como os desempregados são tratados neste país».
«Temos ideias para continuar,
temos várias iniciativas pensadas mas a conjuntura é que vai impor a próxima acção», garantem.
José Luís Peixoto
associa-se ao protesto
O escritor José Luís Peixoto associou-se ao protesto contra as políticas de emprego em
Portugal levado a cabo pelo movimento «E o povo pá» em várias cidades do país.
«Não sou porta-voz do movimento. Fui contactado por duas pessoas que me
explicaram quem eram, o que defendiam e o que pretendiam fazer esta noite», disse.
«Este protesto foi levado a cabo
por um grupo de pessoas das quais não faço parte. Eu não participei no protesto apenas fui contactado durante a Feira do Livro
de Lisboa e fui convidado a comentar o tema do desemprego, não sou responsável pelas suas acções», salientou.
O escritor
José Luís Peixoto disse que concorda em pleno com o que o movimento defende: o combate ao desemprego e a precariedade. «Não
é um tipo de acção que tenha um porta-voz. Aceitei participar na medida em que me parece importante que a população não caia
neste discurso de fatalismo e afastamento mas que comunique as suas opiniões nesta sociedade», referiu.
Na opinião
de José Luís Peixoto, é importante chamar a atenção das pessoas para as questões ligadas «à precariedade sobre o ponto de
vista geracional».
«O que sinto é que eles como eu estão zangados. É mais saudável estar zangado do que estar deprimido»,
concluiu.
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