O julgamento do caso Cova da Beira, envolvendo crimes de corrupção e branqueamento de capitais, agendado para quarta-feira nas Varas Criminais de Lisboa, voltou a ser adiado sem nova data, revelou à Agência Lusa fonte judicial.

Segundo a mesma fonte, o adiamento, decidido pelo colectivo de juízes da 2/a Vara Criminal de Lisboa, prende-se com a existência de cartas rogatórias para inquirição de algumas testemunhas que se encontram no estrangeiro.

Já em Outubro de 2009, o julgamento havia sido adiado por motivos idênticos, relacionados com cartas rogatórias enviadas para Inglaterra para inquirição de testemunhas.

O caso remonta a 1996, quando a Associação de Municípios da Cova da Beira escolheu a empresa Ana Simões & Morais para assistir no concurso público. A empresa era dirigida por Ana Simões e António José Morais, engenheiro e docente que leccionou várias cadeiras ao ex-primeiro-ministro, José Sócrates, quando este tirou o curso de engenheiro na Universidade Independente.

António José Morais e Ana Simões são arguidos no caso, suspeitos de terem recebido dinheiro de outro arguido, Horácio Luís de Carvalho, dono da empresa HLC, que veio a ganhar o concurso, no valor de 12,5 milhões de euros, para a construção do aterro em 1997, apesar de ter sido excluída no início do concurso e entretanto readmitida.

As suspeitas de corrupção apoiam-se nos dados fornecidos por um banco «offshore» que funciona numa ilha do Canal da Mancha, autónoma do Reino Unido, mas considerada uma dependência da Coroa britânica, daí a necessidade de inquirição de testemunhas em Inglaterra, indicou na altura à agência Lusa fonte do Tribunal Criminal de Lisboa.

Aqueles dados dão conta de 58 mil euros transferidos para uma conta aberta pela empresa Ana Simões & Morais no banco «offshore», onde Horácio Luís de Carvalho também tinha conta.

O então primeiro-ministro, que foi arrolado como testemunha por Ana Simões, respondeu por escrito a várias perguntas colocadas pelo tribunal. José Sócrates, que na altura dos factos era secretário de Estado do Ambiente, afirmou não ter tido qualquer influência, quer na escolha da empresa Ana Simões & Morais para prestar consultoria, quer na escolha da HLC para construir o aterro.