Por: Redacção / Mário Gouveia | 23- 11- 2011 11: 16
ACTUALIZADA ÀS 12h38
O PSD, na assembleia legislativa da Madeira, aprovou uma alteração ao regimento que
vem permitir que um só deputado possa votar pelos 25 de toda a bancada.
Uma alteração à medida da maioria social-democrata
e que visa evitar dissabores com as faltas dos seus deputados às sessões plenárias. A oposição fala em tirania e palhaçada.
O
constitucionalista Pedro Bacelar Vasconcelos considera esta alteração «uma clara violação das regras democráticas».
«É
claramente uma violação da regra democrática do funcionamento de uma assembleia representativa», disse à Lusa Pedro Bacelar
Vasconcelos, explicando que «o voto não pode ser delegado e muito menos apropriado pelo grupo político a que está ligado o
deputado».
Sublinhando tratar-se «de um absurdo», o constitucionalista Pedro Bacelar Vasconcelos lembrou que «o que
a lei geral da República prevê é que, mesmo no caso de abandonar o partido político, o mandato de um deputado não é perdido,
apenas [o é] se ele se filiar num outro partido».
Segundo adiantou, «a expressão da vontade de um deputado é indispensável
para a formação da vontade do Parlamento» e «portanto os grupos parlamentares não se podem substituir ao acto individual».
«Por
isso é que se contam os votos, se não bastava contar os grupos parlamentares», ironizou.
Agora, defende Bacelar de
Vasconcelos, «os deputados da oposição que estão descontentes deverão impugnar a inconstitucionalidade dessa norma incluída
no regimento».
Os maiores partidos da oposição já admitem suscitar a inconstitucionalidade da norma.
«O
regimento foi aprovado na generalidade e vai ser analisado agora na especialidade e se o PSD mantiver esse artigo, assim como
a redução do quórum funcional para um terço dos deputados pediremos a inconstitucionalidade», disse à Lusa o líder parlamentar
do CDS/PP-Madeira, Lopes da Fonseca.
O deputado centrista acrescenta que a questão da redução do quórum «colide mesmo
com o artigo 52 do Estatuto Político-Administrativo, que determina que deve funcionar com a maioria».
«Como estas
medidas são susceptíveis de ser inconstitucionais, se o PSD não alterar em comissão, vamos avançar com o pedido de inconstitucionalidade»,
garante.
A mesma posição é veiculada pelo PS, através do deputado madeirense Vítor Freitas, a quem coube a responsabilidade
de defender a proposta de alteração regimental do partido.
«Um deputado poder representar o universo, entendemos
que é ilegal ao abrigo da Constituição», declarou.
José Manuel Coelho, do grupo parlamentar do PTP, diz também que
o partido vai recorrer desta norma, considerando que é «digna da república das bananas, só comparável com a Coreia, o Cazaquistão
e outros países da ex-União Soviética».
«O regime da Coreia até podia vir à Madeira aprender como se faz um parlamento
fantoche», opinou.
Já o vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, Tranquada Gomes, diz que até à aprovação na
especialidade é «possível fazer alterações e corrigir» aspectos da proposta de alteração ao regimento do parlamento.
«A
aprovação da proposta aconteceu apenas na generalidade, será agora apreciada na especialidade e até lá é possível fazer alterações
e corrigir alguma coisa», sublinhou Tranquada Gomes.
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