«Os cortes podem afectar as pessoas». O ministro da Saúde admitiu esta quinta-feira, em entrevista à TVI, que a redução na despesa poderá levar à prestação de menos cuidados médicos.

Garante que não será o «coveiro» do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e é por querer salvar e manter o SNS, que é preciso cortar. «O coveiro do SNS será quem não tomar medidas de redução de despesa».

«É preciso reduzir a despesa para manter o SNS. Queremos garantir que quem necessita, vai ter», disse Paulo Macedo, que sublinhou que essa redução será feita «de forma distribuída».

Além de reorganizar a oferta hospitalar, o ministro admite que pode ser necessários encerrar algumas urgências. «Há sobreposição clara em determinadas zonas», nomeadamente em Coimbra e Lisboa. «Se calhar não vamos ter a mesma quantidade de urgências. É preciso redimensionar a oferta».

Segundo o ministro, o Governo encomendou um estudo concreto e só depois poderá determinar se poderá haver encerramento de hospitais.

Mas para Paulo Macedo é «unânime que existe desperdício na Saúde»: o Tribunal de Contas estima que o desperdício possa chegar aos 30% e a Inspecção-Geral das Finanças aponta para 20%. «Aliás, perguntamos aos centros de saúde e hospitais se tinham sugestões de redução da despesa e recebemos mais de mil».

Taxas moderadoras diferenciadas por rendimento

Escudado nas medidas da troika, o ministro da Saúde afirmou, em entrevista à Judite de Sousa, que haverá «agravamento» das taxas, e sublinhou que as mesmas «não moderam a quantidade de pessoas que continua a deslocar-se às urgências sem necessidade». Explicou que as taxas serão diferenciadas por rendimentos e serviços prestados e que ficará isento quem ganhar abaixo do ordenado mínimo.

Já sobre a proporcionalidade dos rendimentos, Macedo acredita que essa é feita através dos impostos e não das taxas moderadoras, que irão sofrer um aumento e depois actualizadas ainda pela taxa de inflação.