O Governo deverá optar por encerrar a RTP2 e concessionar a gestão dos restantes canais da RTP a um grupo privado, em vez de privatizar a empresa. A hipótese, confirmou o conselheiro do Governo para as privatizações, é a mais atraente e a mais provável. Despedimentos são quase certos.

Em entrevista à TVI, António Borges admitiu que o encerramento RTP2 «é quase inevitável porque é um serviço que custa extraordinariamente caro» e que é prestado «para uma audiência muito minoritária».

Se esta for a solução a adotar, o operador privado que ganhar a concessão receberá no pacote os cerca de 2 mil trabalhadores da empresa e os equipamentos da RTP, mas terá liberdade para gerir esse «património». Ou seja, «se entender que tem gente a mais», pode avançar com uma redução de pessoal.

Esta solução, que tinha já sido avançada pelo «Sol», é uma das hipóteses em estudo e afigura-se mesmo como «a mais atraente porque não se vendia a empresa, mantinha-se a propriedade do Estado e a gestão era entregue a um operador privado que, provavelmente, estará em melhores condições para gerir o negócio».

O operador privado que vier a ficar com a concessão será «obrigado a cumprir o serviço público, o operador privado recebe apoios do Estado por isso», mas será um valor «muito menor do que aquele que é pago atualmente».

O valor em causa rondaria os 140 milhões de euros, que foi a receita da taxa audiovisual (TAV) cobrada em 2010 aos portugueses nas contas da luz. «A RTP tem custado 200 a 300 milhões de euros por ano ao Estado, é mais do dobro», sublinhou.

António Borges admitiu que ainda não existem manifestações formais de interesse por parte de grupos privados, mas não tem dúvidas de que o negócio atrairá interessados.

Ainda não se conhece o prazo da concessão, mas será por «um prazo relativamente longo», admitiu. O «Sol» fala em 20 anos.

«O Estado não é bom gestor, muito menos de televisão», defendeu a fechar, acrescentando que so isso explica «os montantes astronómicos que têm sido gastos todos estes anos» com a RTP.

Na mesma entrevista, António Borges defende que não é preciso mais austeridade e que hoje já ninguém acredita que Portugal tenha de sair do euro.

No campo das privatizações, admite o provável encerramento da RTP2 e despedimentos na RTP e que o encaixe com a privatização da TAP não será elevado.