O Fundo Monetário Internacional espera que a taxa de crescimento potencial das economias desenvolvidas recupere, mas que continue até 2020 abaixo dos níveis verificados antes da crise, o que «levanta novos desafios políticos».

«O crescimento potencial nas economias desenvolvidas no médio termo [nos próximos cinco anos] deve subir ligeiramente perante as taxas atuais, mas abaixo do ritmo verificado antes da crise», afirma o FMI num capítulo analítico do ‘World Economic Outlook’ divulgado esta terça-feira.

A instituição liderada por Christine Lagarde estima que o crescimento potencial nas economias desenvolvidas aumente ligeiramente, de uma média de 1,3% entre 2008 e 2014, para uma média de 1,6% entre 2015 e 2020, ficando assim «bem abaixo» das taxas verificadas antes da crise, que eram, em média, 2,25% entre 2001 e 2007.

O Fundo alerta que um crescimento potencial baixo «levanta novos desafios políticos», dificultando a redução da dívida pública e da dívida privada, mas também traz desafios «à manutenção da sustentabilidade orçamental», pedindo reformas estruturais aos Governos.

Além disso, a entidade sedeada em Washington admite que um crescimento potencial baixo pode atrasar a recuperação dos níveis de qualidade de vida anteriores à crise.

O Fundo justifica a estimativa de uma taxa de crescimento potencial inferior com o «efeito negativo de fatores demográficos» no emprego e com a possibilidade de o crescimento de capital «permanecer abaixo dos níveis» anteriores a 2008, apesar de o investimento e a produção começarem a mostrar sinais de melhoria no pós-crise.