O antigo reitor da Universidade de Lisboa Sampaio da Nóvoa, apontado como possível candidato à Presidência da República em 2016, defendeu este sábado que «com políticos antigos não haverá política nova».

«Não vale a pena dar a vida para deixar tudo na mesma, com políticos antigos não haverá política nova, ficará tudo enredado em calculismos, golpes, hesitações, sem elevação e sem futuro», afirmou durante a sua intervenção no Congresso da Cidadania, Rutura e Utopia.

Sampaio da Nóvoa vincou, na Fundação Calouste Gulbenkian, que uma candidatura às legislativas e às presidenciais só vale a pena se representar uma mudança.

Na sua intervenção defendeu que nas eleições legislativas e nas presidenciais é necessário «abrir um tempo de mudança» porque «é preciso ser diferente para fazer diferente».

Sampaio da Nóvoa vincou também que «são as políticas que empurram os portugueses para a emigração».
 
«Esta Europa e esta União Económica e Monetária não nos servem» disse, sublinhando: «é na Europa que temos de vincar a nossa posição».

«Se não formos nós a acabar com esta política ninguém o fará por nós», disse o antigo reitor aos participantes, referindo que «será durante 2015 ou não será por muito tempo».

Sampaio da Nóvoa defendeu também que os legados dos antigos Presidentes da República Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio são exemplos a seguir.

Reafirmou também que «a austeridade é um desastre», defendendo que a dívida deve ser renegociada «honradamente».

O antigo reitor afirmou ainda que a língua é «o futuro de Portugal» que o país não tem «sabido aproveitar», referindo a história e cultura da língua portuguesa e as relações em todos os continentes, bem como o potencial económico e a facilidade nas trocas comerciais.

«Um estrondoso murro na mesa»

No mesmo congresso, o presidente da Associação 25 de Abril defendeu que é tempo de dar «um estrondoso murro na mesa», numa «tripla rutura» que passa por «novas políticas, novas alianças e novas práticas de governação e de linguagem».

Vasco Lourenço recusou, aos jornalistas, falar de nomes para as eleições presidenciais, por não querer transformar o congresso no lançamento de uma candidatura presidencial.

O presidente da Associação 25 de Abril afirmou, contudo, que o próximo Presidente da República deverá ser capaz de impor ao primeiro-ministro o cumprimento das promessas feitas em campanha eleitoral.

Também o antigo Presidente da República Ramalho Eanes rejeitou, à saída do congresso, pronunciar-se sobre as presidenciais. Eanes foi mais longe, afirmando que falar nestas eleições prejudica as legislativas.

Vasco Lourenço começou a sua intervenção de encerramento do congresso que decorreu na sexta-feira e este sábado, em Lisboa, afirmando que chegou «o tempo de se dar um estrondoso murro na mesa».

«A situação está madura para uma espécie de Abril do século XXI - sem fardas, mas com o legado do MFA [Movimento das Forças Armadas] bem presente na consciência de quem tem a arma do voto.»


Para Vasco Lourenço, é necessário urgentemente uma «tripla rutura que passa obrigatoriamente por novas políticas, novas alianças e novas práticas de governação e de linguagem».

À saída, disse aos jornalistas que o país não pode estar «condenado ao chamado arco da governação» e que as alianças se façam sempre nesse espaço.

«Há outros partidos no terreno, quer antigos, especificamente o PCP e o BE, e há outros novos que estão a surgir. Se, como se espera, o PS for o partido maioritário e não tiver maioria absoluta, mas mesmo que tenha, deve fazer alianças, mesmo que não sejam governativas, mas alianças baseadas em políticas.»


«Já há exemplos de que isso é possível. Na Câmara de Lisboa isso foi demonstrado, na eleição do Presidente Jorge Sampaio isso foi demonstrado. Porque é que há de haver tabus de que não são possíveis outros tipos de alianças?», questionou-se.

Na sua intervenção, Vasco Lourenço afirmou que «dois partidos tornaram-se donos disto tudo - ou sozinhos, ou coligados num centrão corrupto ou, pior ainda, recorrendo a uma bengala com nome de partido, sempre pronto a partilhar a mesa do orçamento, pois para isso existe», sendo esta última referência uma alusão ao CDS-PP.

«Há 38 anos que andamos a ser governados por uma 'troika' interna que, dado o fracasso das suas políticas (sempre iguais no fundamental) já por três vezes recorreu a uma 'troika' externa - transformando Portugal num protetorado e lançando as suas populações mais frágeis, incluindo uma grande parte da classe média, para uma pobreza aviltante e/ou para a emigração.»


Vasco Lourenço declarou que «o exemplo vindo da Grécia e da Espanha» mostra que «outro caminho é possível».