[Notícia atualizada às 15:49]

Milhares de taxistas saíram hoje à rua em protesto contra a Uber. Confrontos físicos, caos no trânsito e apitos fizeram parte do protesto.

Cerca de três mil táxis dirigiam-se ao início da tarde em marcha lenta para o Ministério da Economia, em Lisboa, para protestar contra o transporte de passageiros pela empresa que utiliza a aplicação Uber.

Depois de ter partido do Parque das Nações, em Lisboa, os taxistas passaram pelo aeroporto, tendo-se juntado “à marcha” mais profissionais do setor. A organização do protesto – a cargo da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) - aponta para mais de 3.000 táxis envolvidos na marcha na capital.

Depois do aeroporto, aqueles profissionais passaram junto ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), onde foram registados alguns momentos de “tensão” entre taxistas que aderiram ao protesto e os que estão a trabalhar, com alguns confrontos físicos.

Na zona do IMT, um fotógrafo foi agredido e travado por alguns taxistas depois deste ter fotografado um motorista que não estava no protesto e se encontrava em serviço, a ser atingido por um ovo.

O motorista atingido saiu do carro e foi tirar satisfações dos colegas, envolvendo-se em confrontos físicos. Quando o repórter fotográfico se aproximou para fazer o seu trabalho foi agredido com dois murros.

A organização pediu de imediato desculpas pelo sucedido, com a maioria dos taxistas a afirmar ser contra qualquer tipo de violência.

A caravana esteve perto de uma hora parada no aeroporto de Lisboa, para que os táxis que esperavam na zona das partidas e chegadas se juntassem.

João Ferreira, taxista há mais de 22 anos, disse à agência Lusa "nunca ter visto um protesto assim", mostrando-se orgulhoso na solidariedade que hoje o setor mostrou em torno de uma causa.

Apesar de participar no protesto, João Ferreira não esquece a "mossa" que o mesmo deve ter feito a quem está a trabalhar.

"Concordo que temos de demonstrar o nosso descontentamento, mas quem quer ir para o trabalho não tem culpa e está a levar com isto tudo", lamentou.

Por ano, João Ferreira gasta no táxi cerca de cinco mil euros, entre seguros e manutenções.

"Se houver algum azar, uma batida com culpa, por exemplo, lá se vai o orçamento. Por isso é que não posso fazer os preços da Uber" explicou à Lusa.

Os taxistas reclamam que a Uber “está a operar ilegalmente” e essa é uma das principais razoes pela qual João Ferreira aderiu ao protesto juntamente com centenas de colegas.

"Eles (Uber) fazem concorrência desleal. Se tivermos todos as mesmas regras não há problema. Agora, nós, taxistas, temos mais obrigações que eles", frisou.

A caravana chegou a estar parada cerca de um quarto de hora na Avenida Gago Coutinho, em Lisboa, para seguir para o IMT, com a cabeça da caravana a estar no cruzamento das Estados Unidos da América e o final da coluna para lá da Rotunda do Relógio.

Alguns taxistas que não aderiram ao protesto e passaram na Gago Coutinho em direção ao aeroporto foram insultados pelos companheiros que se encontravam parados, alguns até apanharam com ovos, ficando 'marcados' como fura protestos.

No dia em que centenas de táxis saíram à rua em marchas lentas realizadas em Lisboa, Porto e Faro, em protesto contra o transporte de passageiros por condutores ligados à aplicação eletrónica Uber, fonte da empresa assegura que cumpre a lei e paga impostos.