A UTAO estimou hoje que a economia portuguesa deverá crescer 1,2% em 2014, acima dos 0,8% previstos pelo Governo, uma revisão que justifica com a recuperação do último trimestre que ainda não foi incorporada nas previsões oficiais.

De acordo com a avaliação à execução orçamental de janeiro, a que a agência Lusa teve acesso, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) considera que a recuperação verificada no último trimestre de 2013, dados que não foram considerados aquando da realização da projeção de crescimento para 2014, poderá conduzir a uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,2%, ou seja, 0,4 pontos percentuais acima da estimativa do executivo.

«A UTAO calcula o efeito de "carry-over" [arrastamento] para 2014 em 0,8%, o que permite admitir uma mais elevada taxa de crescimento para o PIB (de 0,8% para 1,2%)», lê-se no relatório da unidade independente que apoia os deputados.

Segundo as contas da UTAO, por cada ponto percentual que o PIB aumente, o saldo das administrações públicas aumenta em 0,3 pontos percentuais, a dívida diminui em 1,5 pontos percentuais e a taxa de desemprego diminui em 0,3 pontos percentuais.

«Neste contexto, o impacto que se estima desta alteração face ao OE2014 [Orçamento do Estado para 2014], é de uma melhoria do saldo das administrações públicas em 0,1 pontos percentuais (de -4% para -3,9% do PIB), uma redução da dívida pública em percentagem do PIB, em 0,4 pontos percentuais, e uma diminuição da taxa de desemprego em 0,1 ponto percentual», calcula a UTAO.

A confirmarem-se estes cálculos, a dívida pública em percentagem do PIB seria de 126,2% em 2014 e não os 126,6% previstos no OE2014 e a taxa de desemprego seria de 17,6% e não de 17,7%.

Os técnicos independentes consideram que «este aumento acrescido do produto, a verificar-se, pode contribuir positivamente para o cumprimento dos objetivos de finanças públicas, nomeadamente por via de receitas fiscais e diminuição de prestações sociais».

No entanto, alertam que este contexto «mais favorável» da economia comporta «um risco adicional» à consolidação orçamental que é «o de criar um incentivo para o aumento da despesa pública acima do previsto no OE2014, ainda que mantendo inalterado o objetivo para o défice em percentagem do PIB».