O Fundo Monetário Internacional (FMI) está mais pessimista sobre a economia mundial, esperando um menor crescimento global, devido à recessão da Zona Euro, que vai ser mais profunda que o esperado. As economias emergentes também vão abrandar.

No World Economic Outlook, divulgado esta terça-feira, o fundo aponta para que a economia mundial cresça 3,1% este ano e 3,8% no próximo ano, em ambos os casos, menos 0,2 pontos percentuais que o previsto em abril.

No que toca à Zona Euro, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá recuar 0,6%, crescendo apenas 0,9% em 2014, também uma revisão em baixa de 0,2 pontos percentuais. As previsões são agora iguais às da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

No que toca às maiores economias da moeda única, quase todas vão manter-se este ano em recessão: a economia francesa deverá encolher 0,2%, Itália 1,8% e Espanha 1,6%. Só a Alemanha escapa, com um crescimento de 0,3%, ainda assim, metade do que se previa há três meses.



No caso da vizinha Espanha, ainda que a projeção de recessão para este ano seja a mesma, as projeções para 2014 são muito mais pessimistas do que eram em abril. Há três meses, esperava-se que Espanha crescesse 0,7% no ano que vem. Agora, prevê-se uma estagnação.

O relatório do FMI não traz projeções para economia portuguesa, mas o fundo integra a troika, que espera uma expansão de 0,6% em Portugal no ano que vem. A OCDE, por seu lado, é menos otimista e acredita que o PIB português vão crescer apenas 0,2%.

O FMI alerta ainda para novos riscos para o crescimento económico a nível mundial, tais como um crescimento mais fraco nos mercados emergentes, e ainda a quebra do volume de crédito devido à restrição dos estímulos económicos por parte da Reserva Federal norte-americana, tal como avançado pelo seu presidente, Ben Bernanke.

Nas economias desenvolvidas, os EUA deverão crescer 1,2% neste ano (menos uma décima do que se previa em abril) e 2,1% em 2014 (menos duas décimas que nas anteriores previsões).

O Japão será a economia desenvolvida com maior crescimento este ano: 2%. No entanto, em 2014, espera-se um abrandamento, para 1,2%.



Nas economias emergentes, o caso do Brasil salta à vista, já que as projeções são revistas em forte baixa.

Nas economias emergentes, o Fundo faz cortes mais acentuados: corta cinco décimas à projeção para o Brasil, para 2,5%. O México sofre um corte idêntico, para 2,9%. A África do Sul cresce menos oito décimas que o esperado (apenas 2%) e a Rússia menos nove décimas (2,5%).

Nas projeções para 2014, o Brasil sofre um corte de 0,8 pontos percentuais, para 3,2%.