O Presidente da República admitiu, esta sexta-feira, que se apresenta «como uma pessoa mais otimista» do que há um ano. Aníbal Cavaco Silva sublinhou que há «uma realidade objetiva» que se pode observar e que revela o início de um movimento de crescimento.

«Nas conversas que tive nos Estados Unidos e nas conversas que tive aqui [no Canadá] e que vou continuar a ter, eu vou apresentar-me como uma pessoa mais otimista do que aquela que estava há um ano», afirmou o chefe do Estado, em declarações aos jornalistas em Toronto, onde chegou na quinta-feira à noite para uma visita de dois dias.

De acordo com a Lusa, Cavaco Silva sublinhou que agora já pode apresentar os números do crescimento económico nos últimos três trimestres do ano de 2013 e a redução do desemprego em Portugal. Na opinião de Cavaco Silva, o crescimento económico em 2014 «será superior àquele que era antecipado pelo Governo português e que era antecipado pelas organizações internacionais».

Aliás, acrescentou o Presidente, no âmbito da apresentação das conclusões da 11ª avaliação ao programa de Assistência económica e financeira, o próprio Executivo reviu esta sexta-feira em alta as estimativas económicas para 2014, esperando agora que o Produto Interno Bruto cresça 1,2% e que a taxa de desemprego seja de 15,7% este ano.

«Penso que é um ajustamento que aproxima a previsão daquilo que parece ser a realidade neste momento», vincou o Presidente da República.

Cavaco Silva acrescentou que outra das razões do otimismo tem que ver com a evolução das taxas de juro das obrigações a dez anos.

«Há uma realidade objetiva que nós podemos observar», insistiu. Mas Cavaco Silva ressalvou que a taxa de desemprego é ainda muito elevada, apesar da redução verificada nos últimos meses. Ainda assim, reiterou, o que interessa aqui é se iniciou «um movimento de crescimento» e «uma inversão da tendência».

Questionado sobre se teme que o país volte atrás no caminho que está agora a começar a percorrer, o Presidente da República voltou a dizer que existem «todas as condições para que a tendência de crescimento económico seja consolidada».

«Os indicadores objetivos que temos disponíveis do lado do INE [Instituto Nacional de Estatística] não nos apontam em sentido contrário, temos de acreditar nas informações objetivas estatísticas que nos são apresentadas, incluindo os inquéritos aos consumidores, aos industriais, que são os chamados os indicadores antecipados, que antecipam um pouco aquilo que pode acontecer no futuro», referiu, considerando que, além da preocupação com a Ucrânia, não se antecipa «que o mundo entre em recessão nos próximos tempos».

Cavaco Silva, que antes de chegar ao Canadá esteve dois dias em São Francisco, nos Estados Unidos da América, revelou ainda que nos encontros que tem mantido durante esta deslocação ao estrangeiro apontam para «um reforço da credibilidade internacional de Portugal», a par de «um reforço de confiança da parte dos mercados», que é também demonstrada nas correções que as instituições internacionais têm vindo a fazer em relação às previsões para Portugal.

Interrogado sobre a data de conclusão do programa de ajustamento, Cavaco Silva afirmou que, «nos termos contratuais», termina a 17 de maio.

«Consta dos documentos que foram assinados em maio de 2011, está lá escrito a data do dia 17 e diz que o programa tem a duração de três anos a partir daquela data. Por isso, para que não exista qualquer equívoco quanto a essa matéria, penso que é positivo que termine nesse dia para que não surjam especulações. Penso que vai mesmo terminar nesse dia», afirmou.