O presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins, afirmou na últia noite que «é fundamental» criar condições em Portugal para melhorar «a confiança dos cidadãos e da economia».

«É fundamental neste momento criarmos condições para que a confiança, a confiança dos cidadãos, a confiança da economia possam melhorar», disse Guilherme d'Oliveira Martins em Ponta Delgada, à margem da apresentação nos Açores do livro «Troika Ano II. Uma avaliação de 66 cidadãos».

Repetindo várias vezes, perante perguntas dos jornalistas, que não comenta a situação política nacional, insistiu na ideia de que é «fundamental criar condições de confiança interna e externa¿«?.

«Isso passa por estabilidade política e confiança. É por isso mesmo que, neste momento, não quero fazer comentários sobre a situação política, uma vez que quanto mais se falar, pior. Precisamos de atos e os atos têm de se traduzir em confiança e coesão», acrescentou, citado pela Lusa.

Guilherme d¿Oliveira Martins disse, no entanto, desejar que haja em Portugal «rapidamente condições de estabilidade que permitam funcionar melhor no que se refere ao investimento reprodutivo e criação de riqueza».

«Mas também digo que neste momento Portugal dispõe de um sistema cautelar que permite o controlo das contas públicas e das finanças públicas. É preciso agora, junto a esse sistema cautelar que temos, garantir que possa haver uma aposta muito maior e uma aposta audaciosa relativamente à criação de emprego e ao investimento reprodutivo. Precisamente, temos de tornar a economia portuguesa mais atrativa. Precisamos de ter em Portugal condições para que aproveitemos melhor os recursos que temos», sublinhou.

Na quarta-feira, Oliveira Martins já se tinha referido a este «sistema cautelar», especificando que consiste «no controlo de finanças públicas e de cumprimento das obrigações» acordadas com a 'troika' e que nele estão envolvidas entidades como o Tribunal de Contas, Banco de Portugal, Instituto Nacional de Estatística (INE), Governo e Parlamento.

Para Guilherme d'Oliveira Martins, o país precisa hoje de articular «a disciplina financeira e orçamenta» com a «justiça distributiva».

«Precisamos de mais coesão económica, social, territorial e precisamos de mais iniciativa e mais criatividade. Sem crescimento económico não poderemos responder adequadamente aos desafios perante os quais nos encontramos», disse aos jornalistas em Ponta Delgada.

«É essencial, neste momento, cuidarmos da criação de riqueza, do investimento reprodutivo e do combate a esse flagelo tremendo que é o desemprego», acrescentou.

O presidente do Tribunal de Contas defendeu ainda que é preciso também mais articulação entre os estados europeus para superar a crise: «Se pensarmos apenas em cada um dos Estados por si não chegaremos a soluções porque o protecionismo e a fragmentação só agravarão tudo».

O livro «Troika Ano II. Uma Avaliação de 66 Cidadãos», das Edições 70, lançado em maio, foi coordenado pelo presidente do Instituto de Direito Económico, Financeiro e Fiscal da Faculdade de Direito de Lisboa e do Instituto Europeu, Eduardo Paz Ferreira, que lamentou, em declarações aos jornalistas, que o Presidente da República não assuma um papel mais interventivo e capaz de gerar mais consensos perante na crise que atinge atualmente a coligação governamental.