Huang, uma chinesa de 30 anos, foi esta segunda-feira, acusada por ter tentado, com a ajuda do próprio obstetra, vender o filho recém-nascido a um casal chinês, residente na cidade de Xinxiang. O bebé iria ser vendido por 42,000 yuang (6114 euros), segundo reporta a imprensa local, mas a intervenção da avó impediu o negócio. 
 
O caso remonta a agosto do ano passado, quando Huang alegadamente deixou a aldeia em que vivia para ir para casa dos pais depois duma discussão com o marido. Voltou duas semanas depois já sem a criança e afirmou que o bebé tinha morrido.

A avó da criança achou suspeito o comportamento tranquilo da mãe. As suspeitas acabaram por abrir caminho a que um outro familiar descobrisse que o recém-nascido tinha na realidade sido vendido. 

A mulher que tinha já um filho de um casamento anterior afirma que vendeu a criança porque esta traria problemas para a sua relação com o primeiro filho. Depois de revelado o negócio,  Huang acabou por ficar também longe desta criança, que vive agora com uma avó paterna. 
 
O tráfico de crianças na China é um problema com raízes profundas. Esta semana a polícia desmantelou uma rede que envolvia 103 pessoas e resgatou 37 recém-nascidos que eram transportados em malas de mão para futuros compradores.
 
A política tradicional de uma criança por família e a preferência por rapazes leva à sobrevalorização do sexo masculino. No entanto, no ano passado, Pequim decidiu flexibilizar a «política do filho único», permitindo dois descendentes aos casais em que um dos cônjuges não tenha irmãos. Antes, esta possibilidade só era permitida aos casais compostos por filhos únicos. 

A flexibilização da medida deve-se principalmente ao rápido envelhecimento populacional e à falta de mão de obra. 

No ano passado, um milhão de casais pediu autorização para ter um segundo filho. Este número, inferior ao esperado, levou as autoridades chinesas a tomar medidas de incentivo à natalidade, no país com a maior desproporção mundial entre nascimentos de raparigas e rapazes. 

De acordo com o Relatório de Tráfico de Pessoas 2014 do Departamento de Estado dos EUA, a China não cumpriu com a recomendação dos padrões mínimos para a eliminação do tráfico, contudo o relatório afirma que está a fazer esforços significativos.