O grupo Vodafone, um dos maiores do mundo a nível de telecomunicações, revelou a existência de cabos secretos que permitem que governos e agências de inteligência possam ouvir e gravar conversas de clientes.

A companhia, que opera em 29 países, decidiu denunciar a existência do sistema de vigilância para contrastar com o aumento da vigilância por telemóvel e pela internet, e na esperança que outros grupos venham a seguir os seus passos.

Segundo o «The Guardian», que também divulgou o caso de Edward Snowden, a Vodafone afirma que os cabos permitem ouvir, gravar e saber o paradeiro dos clientes, se necessário. O mais assustador é que com este género de acesso «direto» um mandato judicial não é necessário.

Em países como a Albânia, o Egito, a Hungria, o Qatar, entre outros, a divulgação de informações sobre este tipo de vigilância não pode ser divulgado, mas a Vodafone garante que em pelo menos seis países onde opera, é obrigatório a instalação deste tipo de cabos.

Os cabos, ou tubos, são, normalmente, instalados numa sala fechada dentro do data center central da empresa.

«Estes cabos existem, o sistema de acesso direto existe. O nosso apelo pretende acabar com este sistema e com o acesso das agências de inteligência aos dados das pessoas», afirmou Stephen Deadman, oficial de privacidade da Vodafone, ao «The Guardian».

Já os dados obtidos com mandato são, na maioria dos países, divulgados. No caso de Portugal, no ano passado a Vodafone recebeu 28,145 pedidos de informações sobre clientes (nomes, números, moradas, etc).