Os processadores construídos nos últimos 10 anos pela empresa norte-americana Intel podem ter uma falha de conceção comprometedora para a segurança dos computadores que equipam, revelou esta quarta-feira o site britânico The Register.

É um problema muito grave por duas razões: porque envolve o material, o que complica as coisas, e porque pode permitir (um terceiro) assumir o controlo do computador”

A explicação foi dada por Gérôme Billois, técnico em segurança informática na empresa Wavestone, à agência noticiosa AFP.

A Intel, que ainda não reagiu oficialmente ao caso, já teria dado instruções a várias empresas para que estas pudessem desenvolver correções.

Estas correções estão em progresso para os sistemas de exploração Linux e Windows, mas nenhum anúncio ainda foi feito pela Apple em relação ao seu OS.

Na rede social Twitter, o fundador do servidor francês OVH, Octave Klaba, anunciou recentemente que a empresa estava em fase de teste da atualização antes de a começar a aplicar “nas próximas horas”.

Klaba prometeu que “o mais tardar amanhã (quinta-feira), um novo coração da rede vai ser proposto para o conjunto dos utilizadores”.

Todos os servidores de nuvem públicos vão ser reiniciados a partir de sábado, com um impacto que se espera mínimo para os utilizadores”.

Gérôme Billois avançou que, “sendo a falha muito profunda, é preciso mudar o coração do sistema de exploração e, portanto, reiniciar o sistema”.

Para este perito, “trate-se da OVH, Amazon ou Microsoft, todos procuram que os seus clientes sofram um impacto mínimo”.

Porém, estas correções podem ter um impacto no desempenho das máquinas envolvidas, reduzindo-o “até 30%, o que é imenso”, quantificou.

“Vai haver um debate em algumas empresas sobre a relação entre desempenho e segurança e algumas podem escolher não atualizar a segurança, para conservar toda a capacidade das suas máquinas”, depois de avaliarem os riscos”, acrescentou.

Se estas correções permitem resolver o problema no curso prazo, só a renovação das máquinas permite às empresas envolvidas eliminá-lo definitivamente, “com as problemáticas de gestão que isso implica”, estimou Gérôme Billois.

No final de 2016, a Intel já tinha sido confrontada com outra falha de um dos seus produtos, mas de menor dimensão e não generalizada.