Um grupo de cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, conseguiu manter o cérebro de porcos decapitados a funcionar durante quase 36 horas. 

Os investigadores, liderados pelo neurocientista da Universidade de Yale, Nenad Sestan, apresentaram os detalhes do estudo numa conferência em Bethsda, no estado americano de Maryland, no mês passado.

A equipa revelou que utilizou sistemas de aquecimento e bombas de sangue artificial para restaurar a circulação sanguínea nos cérebros dos mais de 100 suínos decapitados.

Graças a este método, designado de BrainEx, milhões de células desses cérebros foram mantidas saudáveis e aptas para o funcionamento normal durante aquelas horas. 

Importa, contudo, ressalvar que apesar dos resultados terem sido "inesperados" e "surpreendentes", não há provas de que os cérebros dos porcos tenham recuperado a consciência, tal como sublinha Nenad Sestan no seu estudo, publicado na revista científica MIT Technology Review.

Hipótese de transplantes

A investigação dividiu opiniões dentro da comunidade científica. Por um lado, há quem ache que o estudo pode ajudar a perceber as ligações entre as células cerebrais humanas, permitindo construir um "altas cerebral", tal como lhe chamou Anna Devor, neurocientista da Universidade da Califórnia, em San Diego.

Há ainda quem vá mais longe e admita a possibilidade de transplantar um cérebro para um corpo diferente, tal como já acontece com outros órgãos, como o coração ou os pulmões. Contudo, esta é uma hipótese que os cientistas consideram também que levantaria questões éticas muito complexas.

Se o cérebro de uma pessoa for reanimado fora do corpo, será que essa pessoa estaria a acordar dentro do que seria uma espécie de câmara de privação sensorial, sem ouvidos, sem olhos e sem uma forma de comunicar? Será que alguém guardaria memórias, uma identidade ou direitos legais? Poderiam investigadores dissecar ou dispor de um cérebro nessas condições?", lê-se no estudo. 

Apesar das diferentes opiniões acerca do estudo, os cientistas admitem que esta pode ser uma experiência útil para testar e estudar o funcionamento dos cérebros, sobretudo aqueles que não apresentam qualquer tipo de lesão.