O projeto XENON1T, inaugurado esta quarta-feira em Itália, está instalado num dos maiores laboratórios subterrâneos do mundo, situado em Assergi, na província de L’Aquila, sob uma montanha com 1.300 metros de altitude na cordilheira dos Apeninos.

O XENON1T dispõe de um detetor cem vez mais sensível que o atual sistema para descobrir a matéria escura, que corresponde a cerca de 80% da matéria do universo, e os cientistas acreditam que, com este novo equipamento do Laboratório Nacional de Gran Sasso [grande rochedo] (LNGS), poderão ser alcançados importantes avanços para a sua descoberta.

Na experiência, cujos primeiros dados deverão começar a ser conhecidos em março de 2016, estão envolvidas duas dezenas de instituições de nove países e mais de 120 cientistas, entre os quais uma equipa de sete investigadores da Universidade de Coimbra (UC), coordenada por José Matias, que também é docente do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC).

Por essa via, o IPC também está envolvido no projeto, disse à agência Lusa o diretor da instituição, Rui Antunes, que, como o reitor da UC, João Gabriel Silva, e o vice-presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), João Nuno Ferreira, em representação do Ministério da Educação e Ciência, também participou na sessão de inauguração do XENON1T.

“O que se está a fazer no LNGS é fundamental para o conhecimento” e embora no ensino politécnico se invista essencialmente no conhecimento prático” e o que “está a ser desenvolvido aqui não produza, à partida, resultados imediatos, este tipo de conhecimento também é importante para nós”, sustentou Rui Antunes.

O IPC tem muitos docentes que são investigadores na UC, que “beneficiam da notoriedade” desta instituição e dos seus centros de investigação”, mas também contribuem para ela, afirmou.

Com a sua presença na inauguração do projeto NENON1T, o presidente do IPC quis “manifestar o apoio e reconhecimento institucional” do Instituto ao trabalho dos seus investigadores.

Sobre a “misteriosa” matéria escura, que corresponde a 80% da massa do universo, mas continua completamente desconhecida, Rui Antunes defende que ela se deveria denominar ‘matéria obscura’.

A designação “escura” relaciona-se com o facto de, quando, em 1933, o investigador alemão Zwicky conclui que havia no universo matéria que não era conhecida se referir a ‘dark matter’, expressão da qual se fez uma tradução à letra, explicou o coordenador da equipa de investigadores da UC, José Matias.

Otimista quanto aos resultados da experiências que agora começa a ser desenvolvida em Itália, o investigador salienta que “até aos anos 70 [do século XX] acreditava-se que nunca se iria detetar a matéria escura” porque se julgava que “não seria possível criar meios” para o conseguir, mas a evolução do conhecimento contrariou essa ideia.

A UC está envolvida no projeto XENON (10, 100 e 1T) desde o início, em 2005, e a sua atual equipa de investigadores é constituída, além de José Matias, por Joaquim Santos, João Cardoso, Miguel Silva, Bruno Antunes, Sonja Orrigo e Fernando Amaro.

Iniciada a construção em 2013, a infraestrutura do XENON1T, cuja execução e equipamento envolveram um investimento da ordem dos 15 milhões de euros, situa-se sensivelmente a meio do túnel rodoviário, com 10.170 metros de extensão, que atravessa os Apeninos e faz parte da autoestrada que liga Roma por L’Aquila à costa do Adriático.