Um estudo apresentado hoje na cimeira de tecnologia Web Summit aponta que existem apenas 8% de mulheres no universo das 100 firmas que a empresa 'Crunchbase' considerou serem as "mais inovadoras do mundo". Apesar da estatística, numa palestra na Web Summit, várias empreendedoras falaram das suas experiências e deixaram alguns conselhos para as mulheres de negócios. 

Durante a palestra que decorreu hoje num dos pavilhões da Feira Internacional de Lisboa, onde decorre a Web Summit, foram apresentados os resultados de um estudo sobre o papel das mulheres nos negócios, realizado pela empresa 'Crunchbase', que recolhe habitualmente informação sobre "as mais inovadoras empresas do mundo".

A chefe de 'marketing' da empresa, Alexandra Mack, esteve presente no painel, e apresentou os dados do relatório de 2017.

Depois de traçarem uma lista das 100 firmas de topo, a análise permitiu concluir que "a percentagem de mulheres parceiras nas empresas subiu de 7% para 8%", ou seja, 64 num universo de 752 pessoas, sendo que "oito das 100 firmas admitiram uma mulher pela primeira vez" no último ano e meio.

"Dezasseis pequenos fundos foram fundados por mulheres nos últimos três anos, o que representa 21% das novas firmas criadas nesta categoria", aponta o estudo.

Em termos de investimentos, a análise refere que "10% dos fundos foram aplicados em 'startups' com pelo menos uma mulher entre os seus fundadores".

Neste sentido, Alexandra Mack referiu que "as empresas de capital que contam com mulheres tendem a investir mais em 'startups' criadas por mulheres".

O terceiro dia da cimeira contou com um painel dedicado especialmente à análise do equilíbrio de géneros na liderança das empresas e nos investimentos e, que juntou três oradoras: Susana Quintana-Plaza, Alexandra Mack e Sarah Morgan, em representação dos empreendedores, dos investidores e do corporativo.

Também presente no painel, a investidora Susana Quintana-Plaza considerou que as duas razões que levam a que as mulheres não tenham sucesso na indústria da tecnologia passam pelo facto de "as mulheres não serem instadas a ter mais confiança e tomarem mais riscos", ao contrário do que acontece com os homens, que "tendem a ser mais confidentes e agressivos, o que tem influência quando chega a hora de serem contratados".

Na sua opinião, homens em posições de poder também tendem a contratar outros homens, porque estes "pensam e agem de igual forma", questão que Susana criticou.

"Odeio quando me pedem que tenha características de homem. Têm de aceitar que as pessoas são diferentes, e só assim é que podem aprender umas com as outras", advogou a investidora.

Dirigindo-se às mulheres, Susana disse-lhes para se "projetarem como boas líderes e olharem para o potencial que têm", sendo que o segredo para o sucesso é "acordar todas as manhãs e pensar que arrasa".

O painel contou também com a intervenção de Sarah Morgan, fundadora e diretora da ?Girl Geek Academy', que defendeu que "num mundo dominado por homens, a mudança e a criação de oportunidades para as mulheres tem de partir de ambos os lados".

Instada a deixar um conselho a todas aqueles que assistiam à palestra, Sarah vincou: "Acreditem em vocês mesmas". Já aos homens, foi taxativa: "Contratem mais mulheres, vai valer a pena".

A organização da Web Summit, cimeira que se decorre também no Altice Arena até quinta-feira, anunciou hoje que "perto de metade dos participantes e mais de um terço dos oradores são mulheres".