Três jovens estudantes de Viseu tiveram a ideia de criar um pequeno módulo inteligente, que facilmente se incorpora no casaco de um bombeiro, permitindo monitorizar algumas funções vitais, como medir a temperatura ou assinalar a sua localização.

A ideia surgiu no início do ano letivo, quando André Silva, Ricardo Gomes e Daniel Oliveira - três alunos do último da Escola Profissional Mariana Seixas, em Viseu - tiveram de pensar num projeto de final de curso.

«Depois do último verão ter sido tão duro e trágico para os bombeiros, quisemos desenvolver algo que os pudesse vir a ajudar e proteger», explicou Ricardo Gomes.

Os três finalistas do curso de Eletrónica, Automação e Computadores partilharam a ideia com os orientadores do projeto, Rui Silva e José Carlos Silva, e levaram vários meses a executá-la.

«Foram muitas tardes de volta deste projeto, em que a maior dificuldades foi encontrar material para se adaptar ao pano», revelou Daniel Oliveira.

Depois de algumas experiências, os três jovens de 18 anos conseguiram reunir num mesmo pedaço de tecido, que se cola com velcros na parte interior de um casaco de uma farda de um bombeiro, vários sensores capazes de monitorizar algumas funções vitais em tempo real, enviando os dados através de bluetooth para uma aplicação android.

André Silva explicou que abordaram os responsáveis do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Viseu, de forma a perceberem que funções deveriam monitorizar e como conseguir executá-las no protótipo.

«Decidimos então trabalhar em algo que ajudasse os bombeiros a medir a temperatura, precisasse a sua localização e que nos permitisse saber quando um bombeiro está caído. Os sensores enviam os dados para um programa que desenvolvemos e que permite ser monitorizado num computador pelos comandos», esclareceu.

Um transmissor, um CPU, um acelerómetro, dois sensores e um módulo GPS são os elementos que incluíram num pequeno retalho de tecido, valendo-lhes não só uma boa nota de final de curso, como alguns prémios nacionais.

«Estávamos longe de imaginar que o nosso trabalho tivesse tanto impacto. Penso que foi só à medida que ganhámos alguns concursos que percebemos realmente a importância que o nosso protótipo tem», descreveu Ricardo Gomes.

O protótipo, que apelidam de «SmartGear», foi o grande vencedor da edição nacional do Programa INOVA 2013/2014, arrecadando ainda outros prémios, tais como o prémio inovação no Concurso «Ideias Fora da Caixa» promovido pela Escola Técnica e Profissional do Ribatejo; o 1º lugar na Fase concelhia do Concurso de ideias promovido pela CIM Viseu Dão Lafões e o 2º lugar na Final Intermunicipal do Concurso de ideias promovido pela CIM Viseu Dão Lafões.

Com o final do curso profissional, os três jovens de 18 anos asseguram que o que mais querem é abraçar o mercado do trabalho, tirando partido desta ideia.

«Gastamos cerca de 120 euros para fazer este protótipo, mas se fosse produzido em massa, acreditamos que os custos passariam para metade. Gostávamos de arranjar uma empresa parceira que trabalhasse connosco», alegam.

Um dos orientadores do projeto, o professor José Carlos Silva, admitiu que estão a estudar a possibilidade de criar a patente do produto, para além de já terem apresentado o projeto ao Ministério da Administração Interna.

Da parte do CDOS de Viseu, a inclusão do «SmartGear» no equipamento de cada bombeiro é vista como sendo uma mais valia, que permite uma rápida intervenção no caso de um bombeiro precisar de ajuda, devido ao módulo de GPS.

O 2º Codis de Viseu tem noção que a adaptação deste sistema implica um grande investimento, não só na aquisição dos módulos, como na adaptação aos computadores do CDOS e quartéis de bombeiros.

«Exige investimento, mas no meu ponto de vista estamos a falar de uma grande melhoria. Neste momento só o chefe é que tem rádio no terreno e assim todos os elementos passariam a estar localizáveis», concluiu.