O vírus Zika, transmitido pela picada do mosquito Aedes Aegypti não é, geralmente, uma doença mortal, mas tem tido especial destaque quanto infeta mulheres grávidas devido à sua ligação com casos de microcefalia e outras malformações nos fetos. Mas, afinal, os danos podem ser maiores e mais graves.

Um estudo recente veio revelar a possibilidade de a doença transmitida por este inseto causar danos cerebrais semelhantes aos causados pela doença de Alzheimer também em adultos infetados.

A primeira investigação focada no impacto do vírus Zika no cérebro adulto foi levada a cabo por cientistas do Instituto americano de Alergias e Imunologia La Jolla, na Califórnia. O estudo revelou que, apesar de a doença ser dificilmente detetável na fase adulta de um ser humano, pode causar danos cerebrais prolongados e, até, permanentes.

O Zika pode, claramente, entrar no cérebro de um adulto e causar danos. Mas é uma doença complexa - é catastrófica para o desenvolvimento inicial do cérebro, mas a maioria dos adultos infetados com Zika raramente apresenta sintomas", explicou Sunjan Shresta, professor no Instituto americano de Alergias e Imunologia La Jolla, na Califórnia, revela o jornal The Independent.

Até agora, a doença aparecia apenas ligava a danos permanentes nos bebés filhos de mulheres grávidas infetadas. Mas este novo estudo, realizado em cérebros dos ratos de laboratório, cujo comportamento é semelhante ao dos humanos, indicou que o impacto da infeção noutros adultos, que não as mulheres grávidas, pode ser maior do que se pensava.

O estudo mostrou como o vírus ataca as células cerebrais essenciais para os processos de aprendizagem e da memória, denominadas células imaturas, e a forma como a perda dessas células pode levar a efeitos semelhantes aos das pessoas que sofrem de Alzheimer.

De acordo com Joseph Gleeson, professor na Rockefeller University, os resultados da marcação florescente utilizada para "notificar" quando as células cerebrais fossem atacadas, são alarmantes.

O vírus não tinha afetado todo o cérebro da mesma forma, como acontece no caso dos fetos. Nos adultos, são apenas estas duas regiões do cérebro (responsáveis pela memória e aprendizagem) que são afetadas pelo vírus. Estas células são especiais e, de alguma forma, mais susceptíveis à infeção", explicou Gleeson, escreve o The Independent.

O tempo de permanência dos efeitos do vírus Zika nos adultos ainda não é exato e, como tal, os cientistas indicaram que há ainda bastante trabalho a ser feito. Ainda assim, recomendam que sejam feitos esforços de monitorização da doença não só em mulheres grávidas, mas sim em todos os adultos.