Os telemóveis vendidos na Índia vão passar a ter um “botão de pânico”, que permitirá alertar a polícia e os familiares de uma mulher que esteja em perigo.

A medida, obrigatória, que deverá entrar em vigor a 1 de janeiro de 2017, foi apresentada por Maneka Gandhi, chefe do Ministério para o Desenvolvimento das Mulheres e Crianças, relata o jornal espanhol El País.

Após a morte de uma jovem de 23 anos na Índia, vítima de violação coletiva, seguiram-se manifestações e houve lugar à criação de diversas aplicações para smatphones como medida de proteção.

Para além do “botão de pânico”, foi apresentada também a aplicação “I Feel Safe” (“Sinto-me Seguro”), que ativa um alarme ao carregar cinco vezes no botão de energia de qualquer aparelho, mesmo que esteja bloqueado.

No entanto, o Governo da Índia considera que o botão físico poderá ser mais eficaz do que a aplicação.

Uma mulher em risco não tem mais do que um ou dois segundos para enviar uma mensagem de alerta, porque nestas situações os criminosos normalmente roubam os telefones" refere um comunicado do Departamento de Informação.

Medida é bem-vinda, mas sucesso pode ser relativo

O “botão de pânico” foi bem recebido no país, mas há dúvidas quanto ao seu impacto, porque se acredita que grande parte das violações ocorrem entre familiares e não são denunciadas.  

É uma boa ideia, mas não sei se o botão vai funcionar. Por um lado, como saber se é um perigo real. Por outro, que seguimento dará a polícia aos alertas e até que ponto é que os criminosos vão realmente ser punidos. Como em muitos casos, acredita-se que a tecnologia vai mudar muitas coisas. Mas, uma máquina não vai acabar com as violações, deve haver um seguimento no alerta e, acima de tudo, uma mudança de mentalidade", disse Ashwin Shankar, especialista em startups de tecnologia, ao El País.

A Índia tem vindo a criar medidas com o objetivo de aumentar a segurança das mulheres e a resposta aos crimes. Recentemente, foi anunciado que 33% das mulheres serão incluídas no total de efetivos da polícia e vão abrir 130 centros de atendimento a vítimas de violência.

A partir de 2018 está também previsto que os telemóveis tenham incorporado um sistema de GPS.