O Facebook reverteu, esta sexta-feira, a sua decisão de censurar a histórica fotografia da guerra do Vietname que mostra uma menina nua a fugir de um bombardeamento com napalm, depois da onda de indignação, incluindo da primeira-ministra norueguesa.

O jornal Aftenposten publicou uma carta aberta do editor-chefe, Espen Egil Hansen, dirigida ao fundador da rede social na primeira página da edição desta sexta-feira. Hansen critica o facto de a rede social não conseguir distinguir imagens de abusos sexuais e “famosas fotografias de guerra”, acusa Zuckerberg de “abuso de poder” e afirma que, sendo um dos trabalhos da imprensa reportar imagens consideradas desagradáveis, não deve ser um “algoritmo” na “California” a decidir o que se pode, ou não, publicar.

A primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, publicou hoje a fotografia, que a rede social norte-americana disse violar as regras de nudez. O Facebook também a apagou a publicação da ministra, que não se conformou e voltou a publicar as imagens com filtro sobre a nudez.

Espero que o Facebook use esta oportunidade para rever as suas políticas de edição, e assumir a responsabilidade de uma grande empresa que gere uma vasta plataforma de comunicação”, escreveu.

O Facebook reagiu e voltou atrás. A rede social informou, em comunicado, que vai rever a política de privacidade e as publicações entretanto apagadas serão repostas.

Por causa do seu estatuto de imagem histórica, o valor de permitir a partilha supera o valor de proteger a comunidade, removendo-a. Por isso, decidimos restabelecer a imagem no Facebook”, refere um porta-voz da maior rede social do mundo.