Há uma equipa internacional a preparar-se para testar o efeito das altas concentrações de dióxido de carbono nas águas que rodeiam a Antártica. A ideia é prever o que vai acontecer durante o próximo século, e estudar desde já o que vai acontecer às plantas e aos animais. É uma espécie de maqueta dos oceanos do futuro.

Debaixo da superfície agreste da Antártica os cientistas temem que já estejam em curso alterações potencialmente devastadoras. Os níveis de acidez produzidos pelo excesso de dióxido de carbono estão a aumentar. E se esta tendência se mantiver, há-que perceber como é que níveis ainda maiores de dióxido de carbono vão afetar a vida animal e vegetal durante as próximas décadas.

«Estamos a construir um oceano do futuro, uma maqueta do futuro. E lá dentro vamos fazer subir os níveis de CO2, para ver o que acontece com toda a comunidade. Na prática este «oceano do futuro» consiste nuns quantos contentores semiestanques instalados debaixo da plataforma de gelo antártico», explica Donna Roberts, do Centro de Investigação do Clima e Ecossistema Antártico da Universidade da Tasmânia, na Austrália.

«Abrimos uma série de furos no gelo e mergulhamos através deles. É um bom ponto de partida para se trabalhar debaixo do gelo. A partir daí podemos usar os mais variados equipamentos de exploração subaquática», acrescenta Glenn Johnstone, da Divisão Antártica Australiana.

Com estes contentores será possível brincar com as concentrações de dióxido de carbono na água, sem mexer noutras variáveis, como a luz ou os nutrientes naturalmente presentes. O Aquário de Monterey já tinha feito pesquisas semelhantes, mas nunca se tinha dedicado às condições polares.

«Pegamos em água do oceano e juntamos-lhe CO2, o que lhe altera o PH, e depois injetamos a mistura nos tanques», refere Bill Kirkwood, do Instituto de Investigação do Aquário de Monterey.

A seguir, veem como é que esses valores mais saltos de dióxido de carbono afetam os organismos no seu interior. Sendo que na verdade os atuais índices de acidez já estarão a fazer estragos.

«Em oceano aberto, por exemplo, temos estes moluscos com uma concha, muito parecidos com os caracóis, que estão a desaparecer. E estão na base de toda a cadeia alimentar oceânica austral», diz ainda Donna Roberts.

Outros estudos recentes sugerem que o dióxido de carbono resultante do efeito de estufa é uma séria ameaça à vida nas águas polares. Ao construir o oceano do futuro os investigadores terão pelo menos uma ideia mais aproximada do que está para vir.

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