Um grupo de macacas-capuchinho do nordeste brasileiro encontrou uma forma - no mínimo invulgar - de atrair os machos quando estão no cio: atirar-lhes pedras.

Os investigadores acham que esta evolução, que é própria deste grupo específico e nunca foi encontrada em qualquer outra comunidade de macacos da mesma espécie, pode muito bem ser um marco na história dos comportamentos adquiridos.

Durante dois anos, investigadores da Universidade de São Paulo seguiram a vida de dois grupos de macacos da mesma espécie numa floresta do nordeste do Brasil. E com o passar do tempo, foram-se apercebendo que algumas das fêmeas de um dos grupos aprenderam a atirar pedras para atrair os seus parceiros. No outro grupo não se verificou nada semelhante.

Os cientistas acham que as pedradas podem ter dado resultado com pelo menos uma das fêmeas do grupo. À conta desse sucesso, as outras aprenderam o truque e passaram a imitar-se umas às outras, privilegiando claramente os machos alfa da comunidade.

Nunca se tinha observado este tipo de comportamento em grupos de macacos-capuchinho a viver em liberdade.

Chimpanzés escolhem amigos à sua própria imagem

Num outro estudo completamente alheio a este, mas que também se dedicou a uma espécie de macacos, investigadores da universidade de Viena descobriram que os chimpanzés partilham mais uma característica com os humanos.

O estudo sugere que, tal como os humanos, os chimpanzés parecem escolher os amigos em função daqueles que são mais parecidos consigo próprios, aqueles que tenham os mesmos traços de personalidade.

Fez-se um estudo comportamental de 38 chimpanzés em dois jardins zoológicos. Numa das experiências os investigadores colocaram um leopardo de peluche na jaula dos chimpanzés. Enquanto a maior parte dos macacos preferiu ficar longe, duas das fêmeas, que normalmente já passavam muito tempo juntas, optaram por dar uma lição ao leopardo a fingir.

«Uma das fêmeas, a Raimee, aproxima-se com um pau. O que é curioso é que um bocadinho depois chega a Tushi, que também traz um pau. Elas demonstram um comportamento semelhante: andaram as duas a apanhar paus. E não o fizeram por acaso: a ideia de ambas era mesmo atirá-los ao predador», afirmou o investigador Jorg Massen.

Estas descobertas estão em sintonia com aquilo a que na psicologia dos humanos se chama «efeito de similaridade». Os biólogos acham que isto pode significar que o facto de escolhermos para amigos aqueles que são mais parecidos connosco pode ser uma mania que vem de há mais de seis milhões de anos, herdada dos nossos antepassados comuns.

A outra é a família, que se mantém junta apesar de todas as diferenças, tal como acontece com os primos humanos.

«Descobrimos que os indivíduos que partilham um parentesco passam muito tempo juntos mesmo que não tenham necessariamente personalidades semelhantes. Concluímos que estes indivíduos escolhem cuidadosamente os seus amigos, mas não podem escolher os familiares», continuou Massen.

A dupla de biólogos responsável pelo estudo diz que muito provavelmente se trata de uma evolução adaptativa. É mais fácil partilhar tarefas difíceis quando os envolvidos têm o mesmo tipo de comportamentos e emoções.

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