Uma empresa nigeriana está a conseguir levar a eletricidade a pequenas comunidades. São aldeias que em pleno século XXI que nunca tinham experimentado o que é ter energia elétrica, o simples ato de ligar uma ficha à tomada.

Esta eletricidade está a ser produzida a partir de resíduos, de lixo comum. O biogás é uma energia renovável e suficientemente barata, que funciona em sítios onde a produção convencional de eletricidade sai demasiado cara ou se torna impraticável pelas mais variadas razões.

É um problema endémico em grande parte da Nigéria, como noutros países de África. O abastecimento de eletricidade é irregular e instável, e o gás e o petróleo são caríssimos. Em Ebute-Lekki, uma comunidade de Lagos, por exemplo, que até nem é uma terra qualquer, perdida no deserto - é a capital comercial da Nigéria - não há eletricidade há dois anos.

Quem tem dinheiro recorre a geradores que funcionam a gasolina ou a gasóleo, para alimentar as suas casas e lojas. A maior parte das pessoas, não.

A situação tornou-se tão grave que, com uma ajuda das Nações Unidas e organizações não-governamentais, foi criada uma empresa para produzir energia a partir do lixo, a «Midori Environmental Soluctions». Tudo, dos desbastes de mato aos restos de fruta e peixe ¿ e o lixo era outro problema terrível ¿ passou a ser agora uma fonte de energia.

As pessoas recolhem o lixo, que é depois processado numa central que foi construída perto do mercado local. Os resíduos são triturados, e a mistura resultante, é depois deitada num biodigestor para produzir gás.

«A ideia é mostrar à comunidade como podem crescer sem a ajuda de ninguém, melhorando o ambiente e a sua qualidade de vida, até em termos económicos. Com a energia produzida aqui podem por exemplo moer as suas pimentas, ou criar pequenas e médias empresas, cabeleireiros, o que for. Tudo o que sai da central é uma mais-valia para a comunidade», diz Olumide Thompson, chefe de operações da Midori Environmental Solutions.

Salina Kareem, líder da comunidade de Ebute-Lekki, não podia estar mais satisfeito com o projeto.



«Ficámos muito felizes e agradecemos a Deus pelas pessoas que nos vieram ajudar. Estamos felizes porque sabemos que isto vai ajudar a desenvolver a nossa terra. É o tipo de coisa que há muito reivindicávamos, e estamos muito felizes».

Todas as semanas é recolhida quase tonelada e meia de lixo. É quanto baste para a central de produção de biogás gerar uns dez mil quilovátios, que cobrem as necessidades da pequena aldeia piscatória com cerca de mil habitantes. O investimento total rondou os 46 mil euros.

A mesma empresa está a pôr de pé outras centrais e tenciona cobrir em breve mais de metade da população nigeriana.

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