Está a ser desenvolvida uma tecnologia que permite aproveitar a energia do movimento. É uma fonte de energia limpa e renovável, que os investigadores garantem que um dia produzirá eletricidade suficiente para alimentar todo o Planeta.

Pequenas luzes representam toda uma fonte ilimitada de energia limpa e renovável. São alimentadas por geradores triboelétricos, uma tecnologia que absorve as energias do movimento ou da fricção. Num laboratório dos Estados Unidos os investigadores estão a criar materiais que produzem e recolhem a energia electroestática... pequenas lâminas de plástico que só precisam de uma pisadela para ficarem carregadas de eletricidade. É esta carga que depois serve manter as luzes acesas.

O líder da equipa acredita que a energia do movimento pode muito bem ser a solução para as nossas crescentes necessidades de mais e mais energia. A questão é como recolher essa energia. Há mais de 20 anos que o Z.L. Wang procura uma resposta.

«Inventámos o primeiro nanogerador do Mundo. Para a altura era mesmo muito pequeno. Debitava uns quinze, doze avos de watt, era quase inútil, mas não desistimos de sonhar. É importante perseguirmos os nossos sonhos», afirma Z.L. Wang, professor de Ciência e Engenharia dos Materiais do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos EUA.

E o sonho está mais perto da realidade. Desde que as pesquisas começaram, a equipa conseguiu aumentar 100 mil vezes a força da energia debitada. Uma folha de plástico com um metro quadrado consegue agora debitar qualquer coisa como 400 watts. O truque foi imprimir texturas à escala microscópica no plástico, de forma a aumentar a superfície de contacto. Com isso, cria-se mais fricção.

É certo que 400 watts podem saber a pouco, mas se usássemos estes materiais nalgumas ruas e passeios mais movimentados, os investigadores garantem que o contacto com os carros e os pedestres seria o suficiente para os geradores triboelétricos conseguirem produzir a energia necessária para boa parte da infraestrutura urbana. E o mesmo tipo de tecnologia pode ser usado para aproveitar a força das marés e das ondas do mar.

«Só no Leste e Oeste dos Estados Unidos, nas zonas costeiras, os cálculos demonstram que seria possível gerar uns 31 terawatts. Ora, 31 terawatts é o dobro daquilo que todo o Planeta consome atualmente», explica Z.L. Wang.

Mas antes de se meter com as necessidades energéticas mundiais, o Z.L. Wang quer provar a eficácia da sua tecnologia em escalas mais... modestas. Tipo, telemóveis que nunca ficam sem bateria.

«Precisamos de um ponto de viragem, de uma aplicação de nicho, e esta pode ser uma solução. A partir do momento em que tenhamos a atenção do público teremos condições para expandir. Por agora estamos a tentar focar-nos em duas ou três aplicações, para lá para o ano que vem termos algo que possamos verdadeiramente comercializar. Tipo, já alguma vez carregámos o telemóvel... desta maneira?», sublinha o mesmo investigador.

Z.L. Wang está confiante no seu sucesso. Ele garante que esta fonte de energia é viável, limpa, renovável. Tem andado connosco desde sempre. E agora os seus nanogeradores triboelétricos estão prontos para a apanhar.

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