As vagas de calor que afetaram o sul da Europa este verão acompanham as alterações climáticas, segundo um relatório da organização não-governamental Climate Central, divulgado esta quarta-feira.

De acordo com os investigadores, que criaram modelos informáticos e monitorizaram as temperaturas, as alterações ao clima, geradas pela atividade humana, fizeram com que fosse dez vezes mais provável a ocorrência de um verão tão quente como o registado.

No ano 2050, o verão de 2017 será típico no sul da Europa se o mundo não conseguir reduzir as concentrações de gás de efeito estufa na atmosfera, indica o estudo.

Cientistas da World Weather Attribution (WAA), que reúne investigadores de vários países com o objetivo de estudar o papel das alterações climáticas em eventos meteorológicos extremos, já tinham avisado que as altas temperaturas vão ser uma realidade dentro de 30 anos se as emissões de carbono continuarem ao ritmo atual.

Foram cruzados recordes de temperaturas com software avançado para calcular quanto do aumento de gases de efeito de estufa aumentou as probabilidades de as temperaturas serem mais elevadas. Foi, assim, possível aferir que a onda de calor que atingiu Portugal e Espanha, e que causou vários incêndios florestais, teve dez vezes mais probabilidades de surgir devido ao aquecimento global.