O Facebook anunciou hoje que pagará recompensas a quem denunciar o uso indevido de dados pessoais por aplicações terceiras, no dia em que Mark Zuckerberg é ouvido no congresso dos Estados Unidos sobre o caso Cambridge Analytica.

Segundo um comunicado da empresa, o novo programa ‘Data Abuse Bounty’ irá “recompensar as pessoas com conhecimento em primeira mão e prova de casos em que um aplicativo na plataforma do Facebook reúne e transfere dados pessoais para outra parte para venda, roubo ou uso para uma finalidade específica, fraude ou para fazer influência política”.

“Recompensaremos com base no impacto de cada relatório”, avança a empresa, acrescentando que irão analisar “todos os relatórios legítimos” e responder “o mais rápido possível”.

“Se confirmarmos o abuso de dados, encerraremos o aplicativo ofensivo e tomaremos medidas legais contra a empresa que está a vender ou a comprar os dados, se necessário. Pagaremos à pessoa que relatou o problema e também alertaremos aqueles que acreditamos que serão afetados”, frisa a empresa.

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, está hoje a prestar esclarecimentos no Congresso dos Estados Unidos sobre o escândalo que envolve a obtenção de dados de utilizadores daquela reconhecida rede social pela consultora Cambridge Analytica.

Na quarta-feira será a vez do fundador do Facebook prestar esclarecimentos na comissão de Comércio e de Energia da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso).

O Facebook está no centro de uma polémica internacional associada com a empresa Cambridge Analytica, acusada de ter recuperado dados de milhões de utilizadores daquela rede social, sem o seu consentimento, para elaborar um programa informático destinado a influenciar o voto dos eleitores, nomeadamente nas últimas eleições presidenciais norte-americanas, que ditaram a nomeação de Donald Trump para a Casa Branca, e no referendo sobre o ‘Brexit’ (processo de saída do Reino Unido da União Europeia).

Inicialmente foi avançado que o número de utilizadores da rede social afetados rondava os 50 milhões. Dias mais tarde, a empresa admitiu que o número ascendia aos 87 milhões de utilizadores.

Em Portugal, o número de utilizadores afetados poderá rondar os 63.080.

Desde o inicio da polémica as ações da empresa têm sofrido quedas acentuadas.