Um estudo sobre dinossauros carnívoros confirmou a existência de duas espécies de espinossauros em Marrocos, durante o Cretácico, período da era Mesozoica, há cerca de cem milhões de anos, anunciou esta sexta-feira à Lusa o paleontólogo Octávio Mateus.

Octávio Mateus, Christophe Hendrickx e Eric Buffetaut foram os três investigadores do estudo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL), elaborado através de “comparação anatómica muito detalhada” de “ossos de seis espinossauros diferentes”, encontrados em Marrocos e presentes em vários museus da Europa.

Segundo o paleontólogo Octávio Mateus, o estudo revelou que existem “duas espécies de espinossauros e tinham uma forma de alimentação muito peculiar, comparável com os pelicanos atualmente”.

Publicado esta semana na revista científica PLOS ONE, este estudo vem contradizer um artigo do paleontólogo Nizar Ibrahim, da Universidade de Chicago, de 2014, que sugeria que havia apenas uma espécie de espinossauros – dinossauros carnívoros –, disse Octávio Mateus.

“Esclarecemos que, afinal, há duas espécies de espinossauros em Marrocos. Isto levanta questões quanto à reconstituição dos dinossauros”, afirmou o paleontólogo português, professor na FCT-UNL.


De acordo com o investigador, as duas espécies identificadas são o spinosaurus aegyptiacus e o sigilmassasaurus brevicollis, distinguindo-se entre si por “várias diferenças nos ossos cranianos”, nomeadamente, num osso chamado osso quadrado, que é bem mais robusto em spinosaurus e com côndilos mais conspícuos em sigilmassasaurus.

A primeira espécie identificada pelos paleontólogos foi o spinosaurus aegyptiacus, um dinossauro semiaquático e um dos maiores predadores terrestres.

O estudo revelou que “esta linhagem de dinossauros predadores que levou ao spinosaurus pode ser rastreada até ao período Jurássico, tendo, gradualmente, adaptando-se a um novo estilo de vida semiaquático”.

Para o paleontólogo Octávio Mateus, os ossos destes dinossauros, conhecidos como espinossauros e que se alimentavam de peixes, mostram que “a mandíbula destes animais abria lateralmente para melhor abranger a presa”.

“Os spinosaurus eram animais piscívoros muito estranhos, com um crânio semelhante ao de um crocodilo, focinho longo, estreito e dentes cónicos”, explicou o investigador.


Com base em materiais fósseis da mesma região de Marrocos, o spinosaurus foi recentemente considerado por outros paleontólogos como um animal quadrúpede com ossos densos e pernas curtas adaptadas à natação, ao que este estudo lança dúvidas sobre o rigor dessa informação.

O estudo da FCT-UNL decorreu durante cinco anos e “faz parte de uma estratégia de estudo sobre dinossauros carnívoros”, esclareceu o paleontólogo Octávio Mateus.