Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) estão a desenvolver um sistema inovador de previsão de cheias urbanas, sem recurso a radares meteorológicos e adotando uma técnica «financeiramente vantajosa».

Especialistas do Departamento de Engenharia Civil da UC estão a desenvolver «um sistema inovador de previsão de cheias urbanas que propõe a utilização de redes de udómetros» (sensores de precipitação), em substituição de radares meteorológicos, anunciou hoje aquela instituição.

«A previsão de ocorrência de cheias e inundações na malha urbana é um processo de extrema complexidade e os equipamentos disponíveis no mercado» ¿ radares meteorológicos ¿ «são caros», sublinha a UC, numa nota divulgada esta quarta-feira.

Para tornar possível a aplicação daquela técnica, «financeiramente vantajosa», foram criados «modelos matemáticos de previsão e melhorados modelos computacionais de simulação hidráulica», adianta a mesma nota.

Com os testes preliminares já efetuados, «o sistema consegue identificar as zonas onde a precipitação irá causar inundação, com uma antecipação de 30 a 45 minutos, permitindo desencadear medidas rápidas e simples, como a colocação de sacos de areia, que impeçam a passagem da água por forma a evitar danos», sustenta Nuno Cruz Simões, autor da pesquisa, salientando que este tipo de cheias acontece muito rapidamente e, «por isso, o tempo é crítico».

A investigação de Nuno Cruz Simões foi desenvolvida no âmbito da sua tese de doutoramento, defendida no Imperial College London, no Reino Unido, em colaboração com o grupo do professor Alfeu Sá Marques, do Departamento de Engenharia Civil da UC.

Enquanto, por exemplo, nas cheias fluviais «é possível efetuar previsões com bastante antecipação, o mesmo não acontece nas cheias urbanas, porque são áreas pequenas e por isso o fenómeno é muito mais repentino», sublinha o investigador.

No futuro, «este sistema poderá ser totalmente automático»: a rede de udómetros «recolhe a informação e envia para um computador central, que processa os dados recolhidos e, de imediato, emite alertas» para os bombeiros e para a proteção civil, refere Nuno Cruz Simões, que também é docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC.

A investigação foi galardoada com o Prémio da Associação Portuguesa de Recursos Hídricos (biénio 2012-2013), «um dos mais importantes prémios nacionais da área de hidráulica e recursos hídricos», que, de dois em dois anos, distingue trabalhos de investigação originais, nomeadamente dissertações de mestrado ou teses de doutoramento.