Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho são dos líderes que menos usam o Twitter e são raros os dirigentes mundiais com quem mantêm ligações nesta rede social, revela o estudo Twiplomacy 2014, que considera as duas contas «adormecidas».

O estudo aponta o papa Francisco como a personalidade mais influente no Twitter com o maior número de mensagens partilhadas, em média mais de 10 mil vezes para as escritas em espanhol e mais de seis mil para as mensagens em inglês.

Promovida pela consultora internacional Burson-Marsteller, a análise revela que o presidente da República segue no Twitter 41 líderes mundiais, é seguido por 10, mas mantêm ligações apenas com oito.

O presidente norte-americano Barack Obama - o mais popular no Twitter, com 43,7 milhões de seguidores - o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyp Erdogan, e o presidente do Conselho Europeu, Van Rompuy, são algumas das personalidades seguidas por Cavaco Silva, que aderiu à rede em março de 2011.

O estudo destaca também o reduzido número de seguidores (6.312) de Cavaco Silva e a baixa média de «tweets» partilhados (0.12 por dia), bem como o facto de as atualizações serem geradas pela página no Facebook.

A mensagem mais popular, partilhada a 20 de abril de 2013, no regresso de uma visita oficial à Colômbia e ao Peru - foi replicada apenas 13 vezes e tornou-se na «favorita» (funcionalidade equivalente ao "like" do Facebook) de três pessoas. O «tweet» mais recente é de 5 de maio.

O Twiplomacy analisou também a página oficial da Presidência da República, sublinhando que apesar de não ser um perfil de conversa, conta com quase 70 mil seguidores e publica uma média de 1.27 «tweets» por dia.

Pedro Passos Coelho, que tem uma conta pessoal como presidente do PSD, tem ligação apenas com um líder mundial, sendo seguido por oito. Passos Coelho aderiu a esta rede social em março de 2009 e usou-a quase exclusivamente durante a campanha eleitoral. Dois dias depois de ter sido eleito primeiro-ministro, em 2011, a conta «foi silenciada e tem estado "adormecida" deste então», assinala o estudo.

Durante a campanha, Passos Coelho partilhou sobretudo vídeos e declarações políticas, adianta a análise, ressalvando que nunca «tweetou» pessoalmente.

Para o Twiplomacy, Passos Coelho, que tem 13.942 seguidores e uma média diária de 0.49 «tweets», «parece ter desistido dos media sociais uma vez que a sua página do Facebook, que tem 132 mil "likes", está também adormecida desde dezembro de 2012».

A página institucional do Governo, que tem perfil no Twitter desde 2009, tão pouco resgista atividade desde janeiro de 2012.

O "tweet" mais popular foi colocado a 17 de janeiro desse ano: «Está ao alcance fazer de um ano de grandes adversidades um ano de grandes mudanças», escrevia então o primeiro-ministro.

«No caso da comunicação política, a personalidade e o carisma de quem comunica são muito importantes e estratégias muito desenhadas não funcionam muito bem», assinala Patrícia Dias, coordenadora da Pós-graduação em Comunicação e Media Sociais da Universidade Católica.

Para a especialista e investigadora, para que os políticos tenham sucesso nas redes sociais «é preciso uma comunicação mais próxima, mais genuína. Não me parece que em Portugal isso esteja a ser explorado no seu máximo potencial», considerou.

Apontando como exemplo de sucesso o presidente norte-americano, Barack Obama, a especialista sublinhou que, sobretudo no Twitter, «é muito importante ser a própria pessoa a comunicar».

O Twitter tinha em 2013 apenas 9 por cento de utilizadores em Portugal, contra os 98 por cento dos utilizadores do Facebook. Os dados do Twiplomacy revelam uma quebra no número de políticos e líderes mundiais que usam o Twitter, que passou de 46 por cento em 2013 para 31 por cento este ano. Estudo analisou 643 contas de Twitter de chefes de Estado e de governo, ministros dos Negócios Estrangeiros e instituições de 161 países.