O Twitter decidiu duplicar o limite máximo de caracteres dos tweets, para permitir que os utilizadores consigam publicar mensagens maiores e, assim, transmitam mais emoção com as suas partilhas ou, no caso de Donald Trump, ameaças de guerra à Coreia do Norte mais elaboradas.

Esta é uma pequena mudança, mas um grande passo para nós. A escolha de 140 caracteres era arbitrária, baseada no limite de 160 caracteres dos SMS”, escreveu o chefe-executivo, Jack Dorsey.

 

A medida surge depois da rede social ter percebido que as pessoas que falam línguas como o inglês, espanhol, francês ou português têm mais dificuldade em encaixar as suas emoções e mensagens em 140 caracteres do que, por exemplo, os japoneses, coreanos ou chineses.

“A nossa investigação demonstrou que o limite de caracteres é uma grande fonte de frustração para as pessoas que publicam tweets em inglês, mas não para as que publicam em japonês”, explicou Aliza Rosen, gestora de produtos do Twitter, no blogue oficial da rede social.

A equipa descobriu que apenas 0,4% dos tweets publicados em japonês atingiram o limite de 140 caracteres. Por outro lado, nos tweets em inglês, por exemplo, essa percentagem sobe para 9%.

Quando as pessoas não têm que concentrar os seus pensamentos em 140 caracteres e têm espaço para poupar, temos mais gente a publicar tweets, o que é fantástico”, acrescentou Aliza Rosen.

Na mesma publicação no blogue, a gestora reconhece que algumas pessoas criaram uma “ligação emocional” com o limite de 140 caracteres e afirma que a equipa do Twitter também sente isso. Por outro lado, quando experimentaram a nova atualização “apaixonaram-se por este novo limite, que continua a ser pequeno”.

O Twitter está a testar a nova funcionalidade apenas com uma pequena parte dos 328 milhões de utilizadores da rede social, antes de tomar a decisão final de alargar o novo limite de caracteres a todos.

Trump a dobrar?

O anúncio já gerou reações nos utilizadores do Twitter, com alguns a defender que a empresa devia concentrar-se primeiro noutros aspetos, como em melhorar as ferramentas de edição ou em banir os nacionalistas brancos e as organizações de extrema-direita da rede social.

Outros estão a focar-se na utilização que Donald Trump tem feito do Twitter, onde recentemente publicou uma mensagem que a Coreia do Norte entendeu como uma “clara declaração de guerra”.

Fechem os olhos. Imaginem o Trump a usar o Twitter. Agora imaginem o Trump a usar o Twitter com 280 caracteres. Agora fechem o Twitter", escreveu um utilizador na rede social.

 

Em resposta a um discurso de Ri Yong-ho, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, nas Nações Unidas, no domingo, Trump escreveu que, se o norte-coreano “fizesse eco” dos pensamentos de Kim Jong-un, os dois “não durarão muito tempo”. Esta foi a última de uma série de declarações hostis entre os dois países.

Os termos de serviço do Twitter proíbem ameaças violentas na rede social, mas a empresa recusou-a a retirar o tweet do presidente dos Estados Unidos, argumentando que a declaração de Trump tem “valor noticioso” e é de interesse público.

Ainda não está claro se Donald Trump faz parte do grupo de teste de utilizadores da rede social que terá acesso aos 280 caracteres por tweet, antes da alteração ser alargada a todos.