Uma empresa portuguesa lançou este mês uma plataforma online que permite colocar perguntas a médicos ou esclarecer dúvidas por videochamada, tendo de momento mais de 300 clínicos que aderiram de forma voluntária.

A ideia deste site, que estreou a 19 de maio e já conta com mais de 100 questões colocadas por doentes, surgiu com a constatação de que os portugueses têm uma grande tendência de ir procurar informações de saúde na internet.

«Nem sempre é o sítio indicado para procurar informações de saúde. Quando as pessoas querem ter informação fidedigna e útil têm de falar diretamente com o médico», justifica Miguel Castro, empresário responsável pelo site www.doctorhome.pt.

Aproveitando as novas tecnologias, a plataforma pretende facilitar o contacto com os médicos, tornando-o mais ágil e direto: «O que pretendemos é evitar que procurem informação na internet de forma desregrada, que vão à internet mas ao sítio certo, falando com o seu médico».

Miguel Castro salienta que este site não está dirigido para questões urgentes de saúde, lembrando que, perante uma urgência, um doente deve dirigir-se ao hospital ou contactar a linha saúde 24.

Apesar disso, a plataforma estabelece um prazo de 72 horas para os médicos responderem às perguntas deixadas pelos doentes, de forma a responder às expetativas dos utilizadores e permitir que o fluxo de questões funciona.

A entrada no site é gratuita e o utilizador pode escolher o médico que mais lhe convém, procurando por critérios de pesquisa como a especialidade ou a localidade. «Quando encontram o médico que consideram adequado podem entrar em contacto ou através de uma pergunta ou de uma videochamada, que pode ser muito útil para os portugueses emigrados. Pode também marcar-se consulta presencial ou marcar visita no domicílio», explica o responsável da plataforma.

O valor cobrado por cada serviço é definido pelo médico que é a quem cabe passar a respetiva fatura. Os pagamentos podem ser feitos por transferência bancária, através de referência multibanco ou por cartão de crédito.

Miguel Castro acredita que a maioria dos médicos está disponível para responder de forma gratuita às perguntas ou então cobrar um «valor simbólico» (entre um ou dois euros) que funcione como uma espécie de triagem de perguntas efetivamente genuínas.

Atualmente a plataforma tem 325 médicos distribuídos por 49 especialidades, que vão desde a medicina geral e familiar, à cardiologia, pediatria, urologia e também estomatologia e medicina dentária.

A adesão dos médicos a esta plataforma é voluntária, mas o seu registo tem de ser sujeito a validação, que passa por comprovar o registo na Ordem dos Médicos.

A partir do momento em que o clínico é admitido, passa a ser um perfil público, onde constam as suas habilitações, área profissional, idade, anos de carreira e outros elementos, como fotografia.

Para interagirem com os doentes ou marcarem consultas, os médicos têm de subscrever um plano profissional, que custa 190 euros numa adesão anual. Por cada consulta ou serviço que cobrem, a empresa retém uma percentagem para si.

Miguel Castro reconhece que este «produto inovador» é dirigido a uma classe «altamente conservadora» como a dos médicos, mas considera que a plataforma vem «preencher um nicho de mercado e resolver um problema evidente», que é a busca de informação pouco fidedigna na internet.

«Nós não fazemos consultas online. O que fazemos é facilitar o contacto entre o médico e o utente», refere, lembrando que cabe aos profissionais de saúde de que forma encaminham o contacto com os doentes.

Atualmente, segundo Miguel Castro, a média de idades dos médicos aderentes ronda os 50 anos.